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SANTA DULCE DOS POBRES, DO CORAÇÃO DO POVO

A Santa Dulce dos Pobres nasceu em 26 de maio de 1914 em Salvador, Bahia. já desde nova ainda na sua adolescência, brotou um bondoso olhar aos mais necessitados, a Irmã Dulce é uma religiosa muito carismática, muito querida pelos baianos. Tem por nome de batismo Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, e em sua caminhada terrena de fé, construiu um caminho de santidade junto aos mais pobres.

A santa dos pobres, é muito admirada pelos baianos, muitos contam com gratidão, as histórias de seus gestos simples quando a viram pessoalmente. “Irmã Dulce Já havia sido canonizada no coração dos brasileiros muito antes de maio de 2019, quando o Vaticano anunciou ter atribuído a ela um segundo milagre e que a transformaria oficialmente em santa.” (ROCHA, 2019), Santa Dulce tinha um olhar caridoso para a realidade a sua volta, e essa realidade movia seu coração e suas mãos para doar-se em nome de Cristo, “Para muitos ela é santa porque deixou entrar na própria alma o eco das angustias de quem via faltar o alimento, a roupa, a casa, instrução, o trabalho e os remédios.”(ROCHA, 2019) essa capacidade do altruísmo da Santa Dulce dos pobres, de abandonar-se na vontade de Deus, abrir mão de tantos confortos e abraçar os que para ela revelavam o Cristo, seu jeito e gestos simples despertavam a admiração de qualquer um que se aproximasse, desta religiosa.

CONTEXTO HISTÓRICO E SOCIAL

Na capital da Bahia em Salvador, Irmã Dulce se depara com uma situação difícil de pobreza, e a urgência de tal situação, motivou a santa dos pobres a fazer da caridade a principal necessidade de seu coração.

“A antiga capital da colônia reagiu com dificuldades aos desafios impostos pela crise econômica de 1930. Após a diminuição das exportações baianas, que dizimou as divisas do Estado, ocorreram sucessivas secas no interior que deportaram para a capital o sertanejo pobre. Essa nova massa migratória, somada ao enorme número de descendentes de escravos que já vivia na penúria, encorpou à paisagem da cidade favelas cada vez maiores. Foi nesse ambiente que as obras sociais da freira floresceram.” (ROCHA, 2019)

E então a Santa Dulce dos pobres, aceitava no seu hospital os desfavorecidos, para que tivessem o mesmo tratamento dos hospitais privados. E por caridade ela não recusava ninguém, e seus corredores eram lotados de doentes ao qual ela tinha o prazer de servir e era o que mais fazia a diferença em tempos difíceis, a dedicação ao qual a Santa serva daqueles pobres cuidava destes necessitados. “O trabalho ganhou importância no vácuo dos serviços públicos de saúde e assistência social incapazes de fazer frente à miséria onipresente na cidade onde 80% dos habitantes descendentes de ex-escravos abandonados à própria sorte após a abolição.” (ROCHA, 2019), ela amparava aqueles doentes e pobres, que não tinham a quem recorrer, que não tinham mais esperança e precisavam de cuidados, e acolhia eles a qualquer hora do dia ou da noite.

QUAL O MISTÉRIO DA FORÇA DE CARIDADE DA SANTA DULCE DOS POBRES

Em seu coração pulsava uma espiritualidade franciscana, trilhou o caminho da regra e vida de São Francisco de Assis, primeiramente na Ordem terceira da Penitência(hoje conhecida como Ordem Franciscana Secular) influenciada por um Frade Franciscano, Frei Hildebrando Kruthaup,OFM, que foi amigo de Irmã Dulce em sua caminhada e profundo influenciador, professou na Ordem terceira da Penitência no natal de 1932. Buscando a forma de vida de São Francisco de Assis, foi inspirada a ingressar na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, que é um dos ramos femininos do franciscanismo.

“Na escolha do convento havia o dedo de Hildebrando: ali, o alemão trabalhara durante três meses em 1929, em sua primeira missão como religioso ordenado, e mantinha forte ascendência sobre as freiras. Foi ele quem acertou a ida de Maria Rita para São Cristóvão em uma carta à superiora do convento(…) “ tenho a honra de apresentar d. maria Pontes, minha confessada. Julgo-a muitíssimo idônea para a vida consagrada. É o que tenho que dizer e o que basta. Reze uma avemaria por mim”.”(RAMOS, 2019)

No dia 13 de Agosto de 1933, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo em São Cristóvão, Maria Rita Pontes ingressa no noviciado das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, trocando seu nome para Irmã Dulce.

CORAÇÃO FRANCISCANO PARA OS POBRES

Em seu agir para com o povo percebemos as atitudes da regra de vida ao qual abraçara, a passagem das fontes franciscanas, conhecidas pelos devotos e admiradores de São Francisco de Assis, onde ao ver o rosto de Cristo no leproso, o poverello de Assis abraça a conversão de seu coração. Também a Irmã Dulce, cultivava essa capacidade de enxergar nos pobres o rosto de seu Senhor.

“Essa pequena mulher dizia ver nos mais pobres entre os pobres a figura do Cristo a ser acolhido. Todo santo dia, ela percorria todos os pavilhões do hospital, incluindo enfermarias com pacientes com doenças contagiosas, como tuberculose. Conversava com os doentes, confortava-os e tocava neles. Recusava-se a usar livas ou tomar qualquer precaução para se proteger do contágio por infecções.” (ROCHA, 2019)

Sua vida era de profunda penitência, e se doava além de suas forças por aqueles que o Senhor a conduziu, como também o fez com São Francisco de Assis “O Senhor assim deu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me levou para o meio deles, e fiz misericórdia com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo; e depois parei um pouco e saí do século.” (Test. 1, 1-3), não se envergonhava de pedir ajuda para os que o Senhor havia lhe confiado para cuidar, e por vezes passava por situações constrangedoras com um coração muito misericordioso.

“A leiga Iraci Lordelo, talvez a pessoa mais mística da entourage da freira, contou que ela levara uma cusparada na mão quando pedia donativos a um comerciante. Sem se abater, a freira limpou a mão no hábito e voltou a estender a mão: “isso foi para mim, agora o senhor vai dar para os meus pobres?” (ROCHA, 2019)

Vivia de forma muito penitente, além de sua cansativa jornada, sempre pronta para servir aos pobres, comia pouco e também não dormia muito, durante três décadas, passou noites sentada em uma cadeira de madeira, próximo a sua cama, como uma penitência pessoal, os seus jejuns eram constantes e em silêncio para que ninguém soube-se que os fazia, os médicos ao perceber sinais de anemia, tentava muitas vezes sem sucesso, convence-la a encerra-los.

“Sua morte foi precedida por um ano de muita dor em uma UTI instalada em seu quarto no convento. A lenta agonia foi o destino de sua busca incessante pelo martírio tão valorizado na tradição dos santos católicos. “Esse é o sofrimento do inocente. Igual ao de Jesus”, comparou o Papa João Paulo II (1920-2005) ao visita-la em seu leito de morte, em 1991.” (ROCHA, 2019)

em um ano após a visita do Papa João Paulo II, no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos a Santa Dulce dos pobres veio a falecer. No dia 22 de maio de 2011 foi sua beatificação pelo Papa Bento XVI e no dia 13 de Outubro de 2019, a Santa Dulce dos Pobres é Canonizada pelo Papa Francisco, apresentando para a Igreja Católica e para o mundo todo, as boas obras desta Santa mulher baiana, o Papa Francisco faz conhecer  a santidade da Irmã Dulce para o mundo, mas os baianos e baianas já sabiam que ela era a Santa dos pobres destas terras brasileiras. O Brasil inteiro celebra a alegria da canonização, desta franciscana já muito amada por sua doação verdadeira a Deus, nos mais pobres que o Senhor a conduziu inspirada no amor a Cristo.

 

Frei Mendelson Branco da Silva, OFM

 

REFERENCIAS:

ROCHA, Graciliano. Irmã Dulce, a santa dos pobres. 1. ed. São Paulo: Planeta, 2019. 286 p.