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SANTA CLARA DE ASSIS ABRAÇA O CRISTO POBRE

Santa Clara de Assis, é conhecida pelo amor a altíssima pobreza de Jesus, e seu exemplo tem muito a nos ensinar, o modelo de simplicidade e pobreza é Jesus Cristo, e por muitas vezes encontramos a doçura com que Santa Clara escreve sobre o Cristo pobre e o quanto deve ele ser o espelho para ela e suas irmãs.

Na segunda carta de Santa Clara a Inês de praga (2CtIn) onde toda ela é dedicada à pobreza inspirada no Cristo pobre, encontramos um conselho profundo desta humilde santa “ Abrace o Cristo pobre como uma virgem pobre” (2CtIn 18) a questão que pode surgir sobre essa passagem é: como ser pobre para abraçar o Cristo pobre? Imagine a seguinte situação, uma pessoa dividida entre muitas coisas que nos demanda tempo, ao qual acabamos dedicando grande parte de nossas vidas, pode ser posses por exemplo, ou o desejo de poder, ou até a busca por status. Para Santa Clara ser pobre é esvaziar-se, despojar-se, deixando o maior vazio possível em seu interior para ser preenchido por Cristo, se trata de um coração sem divisões, uma virgem pobre é somente de Deus. Para abraçar o Cristo pobre, precisa ter os braços vazios, livres para abraça-lo, pois se carregamos muitas coisas, não conseguiremos abraçar.

“Assim como a gloriosa Virgem das virgens o trouxe materialmente, assim também você, seguindo seus passos, especialmente os da humildade e da pobreza, sem dúvida alguma, poderá traze-lo espiritualmente em um corpo casto e virginal. Você vai conter quem pode conter você e todas as coisas, vai possuir algo que, mesmo comparado com as outras posses passageiras deste mundo, será mais fortemente seu” (3CtIn 24-26)

E dessa forma, deixando oque é passageiro pode-se não apenas seguir os passos de Jesus mas também abraça-lo, isso se dá através dos passos da humildade e da radical pobreza, Fazendo-se por amor a Cristo menor.

“Veja como por você ele se fez desprezível e o siga, sendo desprezível por ele neste mundo. Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz” (2CtIn 19-20).

É preciso aprender com o Jesus, com suas “angústias próprias da cruz”, mas para isso é preciso ter um olhar contemplativo, um olhar profundo sobre este mistério, para poder abraça-lo e imitá-lo. São Francisco de Assis foi também um profundo contemplativo do Cristo pobre e crucificado, e Santa Clara fez também este mesmo caminho espiritual. Isso é um importante testemunho nos tempos atuais, onde não se deseja enxergar a cruz, onde se foge de enxergar os que estão chagados na sociedade, onde não desejamos enxergar nem nossas próprias chagas, mas apenas queremos viver de boas aparências, é preciso contemplar a cruz, encontrar e abraçar o Cristo crucificado. Santa Clara diz em sua carta a Inês de Praga

“Ponha a mente no espelho da eternidade, coloque a alma no esplendor da glória. Ponha o coração na figura da substância divina e transforme-se inteira, pela contemplação, na imagem da Divindade” (3CtIn 12-13)

Neste espelho que é Jesus Cristo devesse buscar este esplendor que é a “gloria” da humildade e pobreza de Cristo na cruz. Ele se dá por inteiro numa entrega de Amor total, esvazia-se doando plenamente sua vida, para que tenhamos vida, logo a pobreza de Cristo crucificado revela que a pobreza é um aspecto da essência de Deus, contemplando esse Amor total podemos entender o conselho da pobrezinha de Assis “Abrace o Cristo pobre como uma virgem pobre” (2CtIn 18).

Frei Mendelson Branco da Silva, OFM

 

REFERENCIA:

PEDROSO, Frei José Carlos Corrêa. O Cristo que ela braçou. Separata de: PEDROSO, Frei José Carlos Corrêa. Abrace o Cristo pobre. [S. l.]: Centro franciscano de espiritualidade, 2012. cap. 11, p. 163-173.