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QUEM BATE A NOSSA PORTA? REFLEXÃO DE FREI MENDELSON BRANCO

Quem bate a nossa porta? Te convido a refletir um pouco, muitas vezes abrir a porta para o estranho ou o diferente é desafiador, geralmente costumamos perguntar quem é? oque deseja? e isso é natural perguntar. E se por acaso não nos interessar fechamos a porta, ou seja… abrir e fechar a porta é uma escolha livre. Proponho que enxerguemos um pouco para quem abrimos ou fechamos a porta, mas as portas do nosso coração de forma mais profunda.

Existe um relato da vida de São Francisco que fala sobre um encontro muito profundo: “O Senhor assim deu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me levou para o meio deles, e fiz misericórdia com eles. E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo; e depois parei um pouco e saí doséculo.” (Test. 1, 1-3) o início da vida de penitência segundo o relato do testamento de São Francisco, se dá através do encontro do poverello com os leprosos, ao qual ele foi conduzido pelo próprio Senhor ao meio deles, para que transformar o seu coração, e São Francisco de Assis, acolhe a vontade de Deus, abrindo as portas de seu coração para fazer misericórdia com eles.

Quando Francisco se permite abrir o coração e acolhe aquele que era antes amargo para ele, por causa de Cristo, ele começa a enxergar neles os sinais da presença do Senhor. A abertura deste sair de si para encontrar os filhos chagados do Senhor seus irmãos. Esse encontro transforma o coração cheio de preconceitos, medo e amargura, em um coração tomado de misericórdia, na verdade foi o Senhor que transformou o coração de Francisco, e assim oque antes era amargo se torna doçura, mas não uma doçura qualquer, mas de formamais profunda “doçura da alma e do corpo.”

Muitas vezes também hoje, o Senhor nos deseja conduzir para o meio dos menores de seu reino, daqueles que nos provocam em suas necessidades, onde somos chamados a abrir também o coração à transformação do que ainda é amargo para nós e através desta abertura converter em “doçura da alma e do corpo”, abrir as portas do coração é uma decisão pessoal, porém é sobre tudo dever do Cristão, Como nos ensina o Evangelho segundo Mateus 25, 34-45:

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.

Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?

E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.”

Como seria bom nos perguntarmos, “Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?” por isso novamente eu pergunto, quem bate a nossa porta? “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Apocalipse 3, 20), é necessário que estejamos sempre vigilantes, para acolher o Cristo que bate a porta de nossos corações, para transformar nosso coração de pedra, em um coração mais humano segundo sua santa vontade. Busquemos ao contemplar as virtudes de São Francisco de Assis, ser instrumentos de paz e do bem por causa de Cristo, que nos ensina o amor misericordioso.

Frei Mendelson Branco da Silva, OFM