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FORMAÇÃO SOBRE JPIC ENCERRA OS TRABALHOS FORMATIVOS DO NOVICIADO DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

“E Deus viu que tudo era bom, Gn1,31.’’ Assim narra o livro do Gênesis ao falar sobre a conclusão da criação. E essa também deve fazer parte de nossa missão franciscana, ver ao nosso redor tudo como dom de Deus e de sua bondade. A partir desta ótica nós, Noviços da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, fomos convidados nos dias 27 e 28 de julho de 2019, a nos aprofundar na temática do Serviço de Justiça, Paz e integridade da Criação (JPIC). O repasse foi feito por Frei César Lindemberg, OFM, que atualmente é animador provincial desse serviço e também animador da Conferência Franciscana dos Ministros Provinciais do Brasil (CFMB).

Logo no inicio fomos provocados com o pensamento: “Nós não somos parte do meio ambiente, mas somos meio ambiente”. Isso nos levou a compreender a proposta de dois Francisco. Francisco de Assis que tinha uma familiaridade com toda criação e o nosso querido Papa Francisco de Roma, que nos aponta em sua encíclica social Laudato si, a necessidade de cuidar e guardar toda a criação. E assim pudemos assumir algo que Frei José Carballo, OFM (ex-ministro geral de nossa Ordem) falou em um dos encontros em nossa província, “o JPIC é o DNA da Ordem.”

Assim introduzidos nesta temática, Frei César apresentou uma realidade, que a maioria das pessoas não conhece e que deve está ligada diretamente a nossa missão: O JPIC não é só algo exclusivo da ORDEM, mas de toda a Igreja. E isso nos mostra que somos uma fraternidade universal. Assim como esse serviço não é apenas uma coisa restrita a Ordem e a Igreja, o “planeta, também não é meu, mas nosso”, sendo nosso temos o dever de cuidar para que ele não venha a ser destruído causa da nossa ganância que nega que somos iguais, transforma o homem em máquina, destrói a natureza, e torna ruim aquilo que Deus viu que era bom.

A formação ainda abrangeu temas como: 1. a questão migratória, como uma das urgências do JPIC da Ordem; e 2. o Documento de Jerusalém como prioridade da Conferência Brasileira para este triênio. Podemos perceber o qual atuais são esses temas que visam abordar a necessidade de assim como o Poverello contemplando a imagem do Cristo que se fez humano por amor a nós, revelou a todos a vida plena que Ele deseja.

Pisando nosso solo, em nossa realidade, nos debruçamos sobre dois temas de suma importância: Primeiro, a questão das águas. Nossa Província tem a graça de boa parte de seu território ser banhado pelas águas do Rio São Francisco, rio este de grande importância para o todo o Brasil e em especial o Nordeste. Atualmente vemos que cada vez mais este Rio, por conta de programas mal planejados e sem uma eficácia, sendo transformado em fonte de lucro para alguns. As águas do Velho Chico têm lavado o dinheiro sujo dos poderosos, enquanto os pobres vão vendo diante dos seus olhos lembranças e esperanças sendo levadas junto com as poucas correntes do rio. A água como nossa irmã, deseja louvar o Criador pela sua existência. Em sua humildade ela deseja tornar limpa nossa mente para assumir um compromisso com este bem comum. Como Franciscanos, assumimos esta causa, porque ela é também dos pobres, dos ribeirinhos e dos pescadores.

O segundo tema atual é a questão do sínodo da Amazônia, que acontecerá neste ano e que vem como um alerta para o cuidado do “pulmão do nosso Mundo”. Neste território sagrado que está presente em alguns países e inclusive boa parte no Brasil, encontramos a mãe natureza e os povos que com sua vida, defendem-na por todos nós, são indígenas, ribeirinhos, religiosos (a) e militantes. Quando desejamos falar sobre esta causa, queremos falar do nosso futuro como franciscanos. Queremos falar de quem somos de fato. Podemos até nos perguntar: O que podemos fazer? Essa não deve ser a pergunta agora e sim: “O que devo fazer?” Atitudes simples, como o falar nas redes, nos grupos sociais e criar uma reflexão a partir deste tema nos alerta para cuidar da Amazônia que está em todo canto, desde o ar que respiro até o ecossistema que me circunda. Não podemos ficar de braços cruzados e aceitar passivamente ver povos nativos sendo mortos, religiosos sendo calados e sofrendo perseguição, governos tirando verbas e desmatando, em um território que nos leva a reconhecer que de fato somos AMAZÔNIA. Frente a essa urgência de cuidar da Amazônia e dos povos nativos, nos tornamos adeptos, juntamente com a Igreja no Brasil na defesa dos povos indígenas Wajâpi, no Amapá. Que sofrem com a mercantilização – feita especialmente por mineradoras e madeireiras –, das terras indígenas e quilombos fruto da ambição de acumular riquezas.

Fechando assim o ano da provação – o noviciado –, na verdade, nos abrimos a partir desta formação para esta realidade, e fica em nós o desejo de viver e ter o JPIC como nosso projeto de vida como irmãos menores, servindo, defendendo a vida em suas mais variadas expressões “para que todos tenham vida e vida em abundânciaJo 10, 10.

Pedimos ao Altíssimo e Glorioso Deus que é também Tupã, e a Mãe da Amazônia que nos ajude a carregar em nós aquilo que estava presente na vida de nosso Pai Seráfico: o se sentir parte integrante de um todo. Ser irmão de todos!

Frei César Lindemberg, OFM

Responsável do JPIC Provincial