s antonio18Em Jesus entramos em comunhão com o mistério de Deus. Jesus nos revela o rosto do Pai e nos dá o Espírito Santo. Em Deus não há solidão, mas comunhão das Três divinas Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Santo Antônio proclamou com palavras belíssimas o mistério da Santíssima Trindade: “Na Trindade se encontra a origem suprema de todas as coisas e a beleza perfeitíssima e o deleite beatíssimo. A origem suprema é Deus Pai, de quem procedem todas as coisas, de quem provêm o Filho e o Espírito Santo. A beleza perfeitíssima é o Filho, verdade do Pai, que lhe não é dessemelhante em ponto algum. O deleite beatíssimo e a soberana bondade é o Espírito Santo, dom do Pai e do Filho”.

Nestas palavras encontramos o ensinamento da Igreja associado à beleza e as comparações que Santo Antônio usava pala falar de mistério tão grandioso. Noutro sermão, ele usa uma comparação com a palavra “paz”, em latim, pax: “Na palavra PAX, há três letras e uma sílaba, em que se designa a Trindade e a Unidade: no P, o Pai; no A, primeira letra, o filho, que é a voz do Pai; no X, consoante dupla, o Espírito Santo, procedente de ambos. Assim, ao dizer Jesus aos discípulos: ‘A paz esteja convosco’, recomenda a fé na Trindade e na Unidade”.

Muitas vezes temos dificuldade de falar da Santíssima Trindade e Santo Antônio numa linguagem comparativa, alegórica, fala com simplicidade do mistério de Deus. Mas Antônio quer mostrar, sobretudo, as conseqüências de nossa fé na Trindade Santa. A conseqüência fundamental para quem acredita da Trindade é que nossa vida só tem sentido e só pode ser vivida em comunhão com os outros, com a criação e com Deus. A beleza da vida está na comunhão e na comunicação. É verdade que, na prática, tendemos à solidão e ao isolamento. Mas vibra em nós a realidade de Deus, a verdade suprema que é não a solidão de uma Pessoa, mas a comunhão e a comunicação das Três divinas Pessoas em um só Deus.

Santo Antônio afirma com beleza: “Na Trindade não se devem fazer degraus, de modo que o Pai se creia maior que o Filho, ou o Filho menor que o Pai, ou o Espírito Santo menor que ambos; mas deve-se acreditar que são simplesmente iguais, porque qual é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo”.

Pelo Batismo mergulhamos na vida da Trindade Santa e nos tornamos instrumentos de unidade na diversidade.

“Senhor, a luz do teu rosto, a luz da graça que estabelece em nós a tua imagem e nos torna semelhante a ti, está gravada em nós, impressa na razão como selo em cera”.