Santo Antônio foi mestre da oração para todos, mas em especial para as pessoas simples com quem falava e partilhava sua missão de pregador do Evangelho. Por isso, ao se referir à oração, ele afirma:

“Se alguém quiser rezar ou meditar melhor, procure então representar para si em imagens claras a humanidade de Cristo, seu nascimento, sua paixão e sua ressurreição!” E continua: “Esta maneira de meditar costuma dar aos pobres em espírito e aos filhos de Deus mais simples uma felicidade tanto maior no amor, quanto mais se aproximarem da humanidade Dele”.

Antônio está em sintonia com a espiritualidade de Francisco e de Clara: de Francisco nasce o presépio para contemplar o mistério da encarnação, e a via-sacra para meditar o mistério pascal do Senhor. Santa Clara, escrevendo a uma de suas irmãs, Inês, pede que a cada manhã, contemple como num espelho a vida de Cristo procurando assemelhar ao Seu rosto.

A oração franciscana é marcada pela simplicidade das palavras e a riqueza das atitudes interiores e corporais. A simplicidade faz-nos falar com a linguagem da vida, já a riqueza das atitudes interiores aparece no reconhecimento de quanto somos pequenos diante da grandeza de Deus. Mas isso me enche de alegria, de humildade e confiança que me leva a entregar-me plenamente nas mãos de Deus. As atitudes corporais significam a sintonia com a natureza e o reconhecimento de que a criação reza conosco.

Santo Antônio não nos deixou um método de oração, mas em suas palavras encontramos muitas orientações concretas e seguras para buscarmos e vivermos a intimidade com o Senhor: “O bom mestre nos convida para longe da multidão inquieta: Vinde para a solidão do corpo e da alma”. Outra afirmação interessante de nosso santo é: “A vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus”.

Santo Antônio dizia: “Podemos rezar de três modos: com o coração, com a boca e com as mãos”. Rezar “com o coração” com a atitude do verdadeiro orante que reconhece diante de Deus sua pequenez, sua pobreza e reza na humildade. Mas mesmo nesta condição nossa boca não pode calar quando o coração sente a força da misericórdia de Deus e assim “a boca fala daquilo que o coração está cheio”. E à semelhança da Samaritana, temos de dizer: “Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz” (Jo 4,29). Mas o coração que acolhe a misericórdia e a boca que a proclama leva a pessoa a agir bem, como dizia o próprio Jesus: “Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e louvem vosso Pai que está no céu” (Mt 5,16).