Em Lisboa, o rei de Portugal Dom Afonso I mandou construir um mosteiro e deu o nome de São Vicente de Fora. Queria que aquele lugar marcasse a vitória dos portugueses contra os seguidores de Maomé, que quiseram tomar Portugal. Nessa guerra contra os maometanos, o avó de Santo Antôns antonio17io foi muito importante.

Para tomar conta do mosteiro, que ficava fora da cidade de Lisboa, o Rei convidou os religiosos chamados Agostinianos, que já tinham um mosteiro em Coimbra, o de Santa Cruz. Os Agostinianos eram muito estudados, possuíam terras e se relacionavam muito bem com os nobres, ricos e letrados da região.

Foi para o mosteiro de São Vicente de Fora que Santo Antônio entra para a vida religiosa, em 1210, com a idade de 15 anos. Sofreu a resistência de seus pais e parentes que queriam que seguisse uma outra carreira mais vantajosa de glórias, poder e riqueza, mas nosso santo tinha escutado o chamado de Deus e manteve-se firme em sua decisão.

Mas a vida para Antônio no mosteiro foi difícil, sobretudo porque seus parentes queriam interferir demais, oferecendo-lhe facilidades e conseqüentemente o interesse dos cônegos em manter um relacionamento social estreito com nobres e ricos incomodavam a Antônio. Ele queria uma vida que correspondesse às exigências do Evangelho.

Assim, dois anos mais tarde, em 1212, foi transferido para o mosteiro de Santa Cruz e lá encontrou ambiente propício para seu crescimento humano e espiritual. Dos Sermões que nos deixou, pode-se concluir que Antônio aproveitou intensamente as possibilidades de estudo que lhe foram oferecidas em Coimbra. Possuidor de uma memória extraordinária dedicou-se em especial ao estudo das Sagradas Escrituras, encontrando para isso mestres dedicados e um mosteiro com uma biblioteca bem provida, possuindo também as obras de Santo Agostinho, que inspirava a vida dos cônegos agostinianos.

Nosso santo fez das Escrituras aquilo que o salmista já afirmara: “Tua Palavra a é luz para os meus passos”. Nas Escrituras encontrou a verdadeira sabedoria que está na vida de Jesus Cristo que “é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1,24).