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A MINORIDADE FRANCISCANA

Existe uma dimensão da vida Franciscana ao qual levanta curiosidade de muitos admiradores do carisma Francisclariano. Esta dimensão é a vida de irmão e irmã menor, a minoridade é desafiadora em uma sociedade onde se sobrepor sobre as outras pessoas, parece ser o caminho do sucesso.

A minoridade Franciscana, não se dá por uma relação de complexo de inferioridade psicológica , ou pouca capacidade de qualquer natureza, a minoridade para São Francisco de Assis se dá pela relação: relação com Deus, com o outro, a outra, com o diferente, com as criaturas, consigo mesmo, com os bens. Isso porque a minoridade para São Francisco de Assis não se tratava de um conceito abstrato, mas sim, ser irmão menor de forma concreta, essa atitude exige conversão de mentalidade, ser menor se colocando como aquele que serve, isso revela a dimensão do serviço, não é possível pensar em separar o ser irmão menor e a dimensão do serviço, essa relação é comum tanto para São Francisco como para Santa Clara de Assis, pois a pratica da minoridade estava presente em estar entre os menores do reino, em uma sociedade dividida socialmente entre “maiores et minores” eles se aproximam dos “minores”, os leprosos, doentes, os mais pobres, excluídos, que eram marginais da sociedade. Onde está a inspiração para esta atitude? Está no seguimento do Cristo, a minoridade é inspirada na Boa Nova, é uma busca pela prática dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Este adjetivo, “menor”, revela uma profundidade do ser “irmão”, “irmã”, a minoridade é a identidade da fraternidade franciscana:

 “Do mesmo modo, nenhum dos irmãos tenha qualquer poder ou domínio, sobretudo entre si. Porquanto, como diz o Senhor no Evangelho, os príncipes das nações têm domínio sobre elas, e os que são maiores entre as gentes têm poder sobre elas. Entre os irmãos, porém, não há de ser assim; mas aquele que quiser ser o maior entre eles, seja deles o ministro e servo, e aquele que é o maior faça-se entre eles o menor” (RnB 5,9-12).

A Admiração de São Francisco e também Santa Clara pelo Jesus “menor”, o Filho de Deus, Altíssimo Senhor que se encarna entre nós, assume a condição de servo, não vindo para ser servido mas sim para servir, entrega sua vida por amor a nós, e novamente na Eucaristia ele se dá, em aparência humilde. nas Constituições Gerais da Ordem dos Frades Menores diz:

 “como seguidores de Jesus Cristo, que “se humilhou, feito obediente até a morte”, e fiéis à própria vocação de menores, os irmãos andem pelo mundo “cheios de alegria”, servos e súditos de todos, pacíficos e humildes de coração.” (OFM. CCGG, art. 64)

Fica claro então que ser irmão e irmã menor se trata de uma vocação… uma vocação inspirada no Evangelho de Cristo, a prática da minoridade é um sinal profético quando inspirado no exemplo do próprio Cristo, é descoberta a alegria de se fazer servo(a) com alegria e humildade de coração. Alegrando-se em estar juntos aos menores de nossos dias, enxergando no rosto do irmão, o rosto de Cristo, primeiro exemplo de irmão menor.

Frei Mendelson Branco da Silva, OFM