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ARTIGO | São José na Missão da Religiosa Contemplativa

A Igreja é convidada a celebrar o “Ano de São José”, convocado pelo Papa Francisco, na carta Apostólica Patris corde – Com o coração de Pai. Por ocasião do 150º Aniversário da declaração de São José como Padroeiro universal da Igreja. Na sua carta Apostólica Patris corde, tem como objetivo “aumentar o amor por esse grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo” (p.24). 

Pio IX, confiará à especial proteção da Igreja ao Santo Patriarca São José, “a Igreja, depois da Virgem Santíssima, esposa dele, teve sempre em grande honra e cumulou de louvores o Bem-Aventurado José e no meio das angústias, de preferência foi a ele que recorreu”. (São João Paulo II, Redemptores Custos, p. 36). E logo expõe o Papa Leão XIII, “O Bem-Aventurado José deve ser considerado especial Patrono da Igreja, e a Igreja, por sua vez, deve esperar muitíssimo da sua proteção e do seu patrocínio, provém principalmente do fato de ele ser esposo de Maria e pai legal de Jesus” São José humilde carpinteiro de Nazaré, foi escolhido por Deus para uma missão especial e sublime que é a dizer “Guardião do Redentor” e de Maria. 

A Igreja reconhece a figura de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, modelo e exemplo para a vocação matrimonial, celibatária e a virgindade consagrada, para toda a comunidade cristã. Mas quais são as virtudes que São José tem para ensinar na missão da religiosa contemplativa? Nos Evangelhos pouco se relata sobre São José, mas talvez o pouco que se fale foi o suficiente para reconhecer este grande santo, justo, prudente e fiel na missão que o Senhor na sua providência designou para ele.

Escolhendo viver o primado da vida interior São José realizou sua missão escondida na contemplação do “Verbo de Deus que se fez carne” (Cf. Jo 1, 14), nada antepôs ao amor de Jesus e Maria. Aqui, gostaria de mencionar o nosso Seráfico Pai São Francisco, que escolheu viver na simplicidade evangélica, se fez pobre e humilde e o levou a ser querido e conhecido por todo o povo de Deus.  A religiosa que habita no silêncio do claustro é também chamada a nada antepor ao amor de Deus. Ela constantemente O busca, nas Sagradas Escrituras, na Eucaristia, na sua doação e na fraternidade. Assim como a Virgem Maria que “guardava e meditava todas as coisas em seu coração” (LC 2,19). São José também teve que guardar todos esses fatos, em seu coração. Ele é o pai adotivo do Verbo Encarnado, Filho do Altíssimo e Maria, Mãe de Deus. É no coração, “sede” do encontro com Deus, que decantamos os fatos da vida no caminho de Deus. São José Viveu sua missão no silêncio sem alardes. No seu trabalho havia um clima de silêncio e recolhimento. Como é necessário o silêncio especialmente na vida da Irmã contemplativa, pois é somente no silêncio é que se escuta a voz de Deus que fala no coração. (Os 2,16). “A opção pelo Absoluto e Deus é envolvida por um constante clima de silêncio e de contemplação”.

Sendo da estipe de Davi, São José pertencia ao povo eleito cuja a herança é o Senhor. Depois que o anjo lhe apareceu em sonho, São José assumi sua paternidade com total abandono aos desígnios de Deus, como um verdadeiro pai, solícito aos cuidados de Jesus e Maria. Por meio do anjo Deus, lhe deu a incumbência de dar um nome a seu filho, “tu lhes porás o nome de Jesus, pois ele salvará o teu povo dos seus pecados” (MT 1,21). “Os consagrados constituem uma porção eleita do povo de Deus. Sustentar e conservar a fidelidade à sua chamada divina constitui o compromisso fundamental” (Papa Bento XVI).

São José pode contemplar em seus braços o mistério da Encarnação, ele “coopera no grande mistério da Redenção, quando chega à plenitude dos tempos” (São João Crisostómo). “A sua paternidade expressou-se concretamente”, ou seja, São José fez da sua vida uma generosa oferta, “um sacrifício ao mistério da Redenção”. A Irmã contemplativa pela sua vida de oração é também chamada a contemplar dia-a-dia o mistério de Cristo, Encarnação, Morte e Ressurreição. E nesta contemplação é chamada a ter os mesmos sentimentos de Cristo, com isso irradiam o amor de Cristo, anunciando uma Grande alegria através das orações, das súplicas permanentes pela a humanidade. 

São José foi o grande Santo privilegiado por Deus para ser o pai da Sagrada Família de Nazaré. Nesta família, ele encontrou o Divino, um Deus que se fez pequeno. São José cumpriu sua missão, com serena alegria de poder ter em sue braços Jesus de Nazaré e ao seu lado a Virgem Maria. A Irmã chamada por Deus entra no mosteiro encontra e “procura aí um oásis espiritual onde aprende a viver como verdadeiro discípulo de Jesus em serena e perseverante comunhão fraterna, acolhendo também eventuais hóspedes como o próprio Jesus” (Bento XVI).

 

Irmã Maria Cecília OIC.

Mosteiro da Imaculada Conceição e São José de Fortaleza-CE.