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FREI ELIVÂNIO LUIZ NARRA SOBRE SUA RENOVAÇÃO DOS VOTOS EM JERUSALÉM

No dia em que a Ordem seráfica celebrou a festa de São Francisco, na Igreja de São Salvador em Jerusalém, renovei minha profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores, nas mãos do Custódio da Terra Santa, Frei Francesco Paton, juntamente com outros confrades de várias Províncias da Ordem franciscana. Foi um momento de grande alegria confirmar por mais um ano a adesão ao Evangelho vivendo em Obediência, Sem nada de próprio e em Castidade.

Ao olhar para a figura de Francisco de Assis em sua humildade, podemos contemplar um homem que sempre procurou ser fiel ao Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e nunca em sua vida procurou os lugares de destaque ou de prestígio na sociedade do seu tempo.

Francisco viveu a experiência de ser irmão de todos, esteve sempre do lado dos desprezados, viu em todas as criaturas e na morte uma relação de amizade e de fraternidade, com isso, testemunhou o serviço a Deus seguindo os passos de Jesus que se fez pobre para nos fazer ricos.

Viver o evangelho não é algo simples, porém não é algo que deve passar desapercebido da vida dos frades menores que se dispõem ao serviço do Reino de Deus. Quando Francisco ouviu o chamado de Cristo para restaurar a Igreja, foi-lhe dada a graça de iniciar um verdadeiro caminho de penitência em sua vida. Partindo da palavra de Deus, ele, antes de corresponder a esse chamado, viveu a experiência profunda da intimidade com Cristo que nos interpela a mudar de vida. 

O caminho iniciado por ele e pelos seus primeiros companheiros ressoa hoje nos ouvidos de cada um de nós frades menores que estamos engajados à missão da Igreja. Por isso, devemos, com todo ardor, nos colocar na escuta do Evangelho, só assim somos capazes de mudar nossa vida e, somente depois, poderemos testemunhar a experiência evangélica no cotidiano.

Viver o Evangelho significa, portanto, não um simples anúncio com discursos vazios que não produzem frutos, mas com exemplo vivo e transformador. Essa atitude se fundamenta no Cristo morto e ressuscitado que nos impulsiona a anunciar a Boa Nova para toda a humanidade dilacerada.

Como irmãos e menores e por meio da nossa forma de vida, somos convidados à contemplação do Cristo Pobre e Crucificado e a bebermos da Fonte salvadora que jorra do seu lado aberto na cruz. Além disso, somos a viver na comunhão de amor à Igreja e na Igreja como manifestação de amor a todas as culturas, raças e povos.

Francisco de Assis nos dá um exemplo a ser seguido. Ele escuta atentamente as palavras de Cristo no Evangelho. Isso significa que devemos ser semeadores de paz, união e fraternidade.

Enfim, o Evangelho nos enche de alegria profunda por sermos consagrados a Cristo e pertencermos ao Reino que ele anuncia. Uma alegria inesgotável e perene que, mesmo nas circunstâncias difíceis da vida e da vocação, não nos faz perder o sabor da vida. Essa alegria, é sinal da presença do Espírito Santo no coração da humanidade que se sente profundamente amada por Deus, que nos salva na sua graça e misericórdia.

Peçamos a graça da perseverança na escuta da voz do Senhor que nos chama ao seu amor e que fazer de nossa vida um tabernáculo da Santíssima Trindade.

 

Frei Elivânio Luiz, OFM