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LEIA A REFLEXÃO DE FREI JOÃO PEDRO SOBRE A IRMÃ MORTE

Recordamos neste tempo a memória dos finados. Nele temos a oportunidade de rezar e oferecer alguns atos de misericórdia em favor dos nossos mortos. Segundo a tradição do Antigo Testamento, os hebreus rezavam pelos defuntos (Cf. 2Mc 12,38-45). Nós, no cristianismo, seguindo essa mesma tradição, ofereceremos junto ao Sacrifício Eucarístico a vida dos fiéis defuntos, para que um dia, livres do purgatório, gozem da eternidade.

A Igreja, em sua sabedoria, ensina que é válida a oração que fazemos em favor dos mortos. Na oração eucarística rezada na Missa, a Igreja reza não somente pelos falecidos cuja fé ansiavam a ressurreição, mas por todos os que morreram. O único mediador entre Deus e o homem, Jesus Cristo, santifica a Igreja para que ela sinal da salvação que Deus opera no mundo, compete ao indivíduo acolher ou não essa salvação.

Aqui na terra, nossas escolhas revelam adesão ou não a salvação oferecida por Deus. Quando alimentamos vícios e maus costumes, então renunciamos o amor a Cristo e aos irmãos. Quando somos acolhedores e caridosos, então nos aproximamos da salvação. A Escritura Sagrada adverte sobre a importância de estarmos sempre vigilantes frente as surpresas de Deus: “Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem” (Mt 24, 42-44).

Frente a incerteza da morte, alguns questionamentos nos provocam: Como anda nossa vida de oração e intimidade com Deus? E nossa vida sacramental? Temos exercido o perdão? Como temos respondido ao chamado vocacional nos feito por Deus? Temos feito obras de caridade? Como numa espécie de exame de consciência, esses questionamentos nos ajudam a mensurar nossa caridade, pois, conforme afirma são Pedro, “a caridade cobre uma multidão de pecados”. (1Pedro C 4 v 8).

A oração pelos mortos nos ajuda a recordar que somos pó e para o pó voltaremos (Cf. Gn 3, 19). Cada renúncia e escolha pode se configurar como a morte para alguma coisa ou renascimento para outra coisa. Quando escolhemos a palavra da Salvação oferecida por Jesus, morremos para o pecado e nascemos para a vida em abundância (Cf. João 10,10). Morte para o pecado é encontro com Deus!

São Francisco na sua experiência evangélica encontrou na morte uma irmã que nos possibilita o encontro eterno com o Senhor! “Bendita seja a irmã morte corporal da qual nenhum vivente pode escapar. Louvai e bendizei ao meu Senhor” (Cf. Cântico do Irmão Sol)

 

Frei João Pedro Lima Costa, OFM