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FREI JOÃO PEDRO ESCREVE TEXTO POR OCASIÃO DO MÊS MISSIONÁRIO: A MISSÃO DE JESUS É TAMBÉM NOSSA MISSÃO E ELA DEVE PARTIR DO NOSSO INTERIOR

Impulsionada pelo sopro de Deus que agiu de modo pleno e definitivo em Jesus, a Igreja desde os seus primórdios tem por vocação a missão. Por isso podemos dizer que nossa vida é missão, somos vocacionados à missionariedade.

É possível que muitos de nós entendamos equivocadamente o sentido da missão quanto tentamos separá-la da vida, mas o fato é que a missão não se resume apenas em alguns momentos ou etapas da existência. Pelo batismo, assumimos em nossa vida os sentimentos de Cristo, como diz São Paulo aos Filipenses (Cf. Fl 2, 5) e, portanto, devemos assumir em nossa carne também a sua missão.

Pelo batismo, portanto, o cristão é revestido da identidade missionária. No Evangelho segundo São Marcos Jesus envia seus discípulos em missão: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. O batizado que assume esse mandado de Jesus nunca mais será o mesmo, pois a força do Seu Espírito é que o conduzirá rumo à Eternidade, que já se inicia na terra pela proclamação e vivência da novidade de Deus para o mundo. A novidade do Senhor é que todos tenham vida em abundância. É pela resposta ao envio do Senhor, depois de haver se encontrado com Ele, que o cristão é capaz de percorrer os verdadeiros caminhos sonhados pelo coração de Deus e levar Sua Boa Nova até os confins do universo.

Falar em caminhos do coração nos faz lembrar de tantas coisas relacionadas ao ser humano. O homem que é obra prima de Deus precisa tornar seu coração conforme o de Jesus e abandonar o egoísmo e a maldade que habitam nele. Nesse sentido, enquanto irmãos menores, somos convidados, por meio dum verdadeiro encontro com Jesus, a tornar o nosso coração manso e humilde, desse modo estaremos assimilando em nós mesmos a Boa Nova que vem do Senhor. Isso nos ajuda no processo de cura das feridas abertas, rompe as prisões que nos impedem de sermos mais conformes a Jesus. Talvez esse seja um caminho de reorientação da nossa caminhada cristã e franciscana onde redescobrimos nos sentimentos de Jesus, expresso nos seus ditos e feitos misericordiosos, nosso itinerário para uma autêntica vida de missão.

Nesse processo, duas atitudes são indispensáveis. Uma, requer que inclinemos o nosso ouvido para dentro de nós mesmos. Desde aí começaremos a perceber que a nossa vocação à missão já começa a ser realizada, pois é como se permitíssemos que a Palavra da vida, o Evangelho vivido e anunciado por Jesus, cumpra seu papel a partir de nós, transformando-nos. Outra, que antecede a anterior, é que para isso acontecer se requer a resposta de cada um de nós. O Senhor precisa de nossa ajuda para realizar sua missão em nós e para fazer nossa a sua missão. Desde modo, a missão começa com nossa decisão e a partir do nosso coração.

Somente assim, transformados interiormente é que conseguiremos contagiar as pessoas que estão em nossa volta, fazendo assim a Boa Nova alcançar o mundo. Encontrando-nos nesse itinerário tornaremos nossa vida cheia de sentido porque imprimiremos em nela o desejo do Senhor.

Que ao assumirmos nossa humanidade, nos disponhamos a transformar em bondade o que não é o plano divino em nós. Tenhamos ousadia de sairmos dos nossos conformismos que nos estagnam e nos inutilizam no projeto de Jesus. Que descubramos o valor da missão de Jesus em nossa missão por meio da trilha do nosso coração. Será desse modo, atentos a voz de Jesus, que nos sentiremos, como foi São Francisco, apenas instrumentos nas mãos do Senhor e Criador das nossas vidas.

Que respondamos positivamente ao mandato do Senhor com disponibilidade e coragem para assumir nossa identidade, vida e missão de cristão e que a cada dia possamos responder: Eis-me aqui, envia-me!

 

Frei João Pedro de Lima Costa, OFM