,

ITACURUBA, UM GRITO PARA O MUNDO

No dia 13 de junho, celebramos Santo Antônio, o grande advogado dos vulneráveis, fonte de inspiração, para nós que compomos o Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil.

Seguindo os ensinamentos de Santo Antônio, estamos juntando forças, oficialmente, com instituições, organismos das pastorais sociais da Igreja, as comunidades tradicionais e moradores de Itacuruba-PE, na luta contra a instalação de usinas nucleares na região do Rio São Francisco.

Desde 2012 uma grande onda de preocupação assolou as populações residentes na região do São Francisco. A notícia da instalação de uma usina nuclear, somada a falta de transparência quanto aos riscos que ela oferece, e aos impactos que a construção delas pode gerar na região, geraram profundo temor na população local.

Diante disso, indígenas, quilombolas, pescadores, moradores da região e organizações da sociedade civil, se uniram com o objetivo de barrar a instalação destas usinas em seu lar comum.

São grandes os riscos da instalação de uma usina nuclear. O que assusta, é constatar que todos os acidentes que ocorreram nas usinas deste porte, têm como agentes principais, falhas humanas, técnicas, ou seja, defeitos nos maquinários e instrumentos, ou até mesmo procedimentos de segurança que não foram cumpridos de forma correta, levando a danos incalculáveis, em muitos casos.

Imaginem um acidente em uma área onde o Índice de Desenvolvimento Humano é relativamente baixo e tem na educação o seu principal problema. Como faríamos para deslocar essa população em caso de acidente? Privar ou limitar aproximadamente 300 000.00 (trezentos mil) sertanejos de suas casas, em razão de mau funcionamento e riscos a saúde das pessoas que ali vivem, é algo a se pensar com seriedade.

O maior problema da construção de uma usina nuclear é o medo da população com a possibilidade de um acidente que pode afetar diversas cidades.

Em uma de suas frases, Santo Antônio ensina que “Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”, como frades menores, seguimos o projeto de Cristo que deseja que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jó 10, 10). Por isso é importante que mais pessoas se conscientizem sobre os riscos desse tipo de energia, e some forças contra este projeto que ameaça diversas formas de vida.

Em uma região como a nossa, em que temos a possibilidade de desfrutar de estruturas de energias renováveis, e ecologicamente menos poluentes, porque ainda insistimos em alternativas que podem prejudicar a qualidade de vida das pessoas? Quem sairá beneficiado de verdade depois da construção destas usinas nucleares?

Por tudo isso, nada melhor do que começar a contribuir para esta luta no dia em que comemoramos Santo Antônio. Isto porque a defesa dos pobres, além de suas atitudes concretas no convento, manifestava-se na crítica que fazia a uma sociedade que privilegiava, com grandes riquezas, a alguns (aos ricos, aos avarentos, aos poderosos, aos usurários), e privava a inúmeras famílias do mínimo necessário para a própria sobrevivência. Ele nunca se aliou aos poderosos de sua época, sempre denunciou as estruturas que geravam morte.

Assim, nos colocamos como irmãos menores junto destes que tem sofrido no momento, resistindo a esse projeto. Continuaremos lutando para que a energia renovável e sustentável seja sempre a primeira opção.

Comissão da Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC)

 

Veja também a mensagem em vídeo do Coordenador Provincial do JPIC, Frei César Lindemberg.