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FRANCISCANOS REALIZAM RODA DE CONVERSA INTER-RELIGIOSA EM OLINDA

Infelizmente alicerçada na ignorância, as variadas formas de intolerância religiosa e cultural infelizmente ainda persistem. Custa ao menos um pequeno esforço para compreender que os outros não são ruins ou não são do mal?

Movidos ainda pela inspiração do encontro entre São Francisco de Assis e o Sultão Al-Kamil no contexto sangrento da V Cruzada (1217-1221), em Damieta-Egito, no ano de 1219, os frades franciscanos na manhã do dia 18 de janeiro de 2020, alguns dias antes do dia nacional do combate à intolerância religiosa, realizam uma Roda de Conversa intitulada Tradições de Paz.

O evento não pretendeu ser um espaço de exposição das diferentes tradições religiosas, mas se propôs a reafirmar os variados compromissos e ações de paz a partir das identidades mesmas das diversas religiões. Também foi espaço de denúncia e ocasião para levantar situações concretas que unidas, as religiões podem enfrentar.

Reunindo líderes das tradições: Budista, Cristã (católicos e batistas), Africana (candomblé e umbanda), Muçulmana, Hare Krishna, Bahá’í, Indígena (jurema) e Agonósticos, a roda de conversa foi aberta com a fala do guardião do Convento de Olinda, frei Rogério Lopes, que disse que aquela casa, que é a primeira dos franciscanos no Brasil, sempre foi palco para encontros como esse de promoção da paz. Seguiu-se a fala da apresentadora, Cecília Canuto, que convidou alguns líderes para compor a mesa e, logo a fala foi passada àquele que foi o moderador da roda, frei Faustino dos Santos.

Muitas falas foram contundentes, provocantes e cheias de desejo de paz entre e para além das religiões. Floridalva Cavalcanti, representante do budismo de linhagem tibetana, por exemplo, disse que as religiões devem estar a serviço da humanidade por meio da integração das virtudes. Pai Ivo de Xambá, por sua vez, com fala marcante, denunciou o perigo da instrumentalização por parte do governo de uma religião e bradou em favor da laicização do estado que dá a todos o direito de escolher crer naquela religião que lhe faça uma pessoa melhor. O professor Gilbraz Aragão, católico, disse que a luta contra a LGBTfobia e outras forças opressoras deve ser pauta constante das pessoas religiosas. Brados contra os esquemas mercantilistas das religiões, bem como contra de destruição ambiental foram presentes em toda manhã.

Foi um encontro mais que necessário! Ao final da roda de conversa, houve um rito comum onde os líderes religiosos, dois a dois, aproximaram-se duma porção de água aromatiza para lavar as mãos uns dos outros simbolizando a humildade, a reverência ao sagrado que habita ao outro. Esse momento foi acompanhado de loas, orações, mantas e refrões. Ao final foi servida uma feijoada.

Que rendam frutos e que outros momentos como esse sejam realizados como esforço comum das religiões para dignificar a Deus que tem vários nomes na sua obra criadora que envolve a humanidade e a natureza.

Paz e bem.

 

Frei Faustino dos Santos, OFM