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VEJA O QUE ACONTECEU NO 3º DIA DA MOBILIZAÇÃO “PENEDO E RIOS VIVOS”

Ontem, dia 23 de março, aconteceu o último dia do evento Penedo e Rio Vivos. Foi interessante perceber o envolvimento de alguns e a curiosidade de outros em se aprofundar mais sobre como é preocupante a situação da água em nossa região, ao final ficou a grande responsabilidade de tentar elaborar uma carta com observações concretas de reivindicações, para os poderes públicos locais perceberem o risco de não cuidar do “Velho Chico” .
Pela manhã fizemos visitas aos pescadores da comunidade Barro Vermelho, na cidade de Penedo. Fomos muito bem acolhidos pelos mesmos que guardam grande respeito pelos frades. A maior parte das pessoas que residem nesta comunidade sobrevivem da pesca e do trabalho informal. No desenrolar da conversa muitos destacaram a ausência do poder público no tocante ao cuidado do rio e das famílias que sobrevivem da pesca: “O rio está destruído pra vista de quando eu era pequeno. Altas marés, grande quantidade de peixes. Agora o que mais tem é esse mato que você está vendo”. Outro morador afirmou: “Estão construindo orla aqui na comunidade, mas pra que vai servir a orla se o rio São Francisco morrer? Tem de cuidar dele primeiro”.
À tarde, no convento houve a exibição do documentário Frei Luís, que relata a greve de fome feita pelo atual bispo de Barra, Dom Cappio, para tentar barrar as obras da transposição, iniciada em 2005. Foi bonito perceber que apesar de tanto retrocesso a voz profética da Igreja nunca se calou, diante de um sistema que visa lucro e interesses pessoais em vez de defender a vida. No documentário foi forte o momento em que um dos ribeirinhos dizia: “Como se constrói uma hidrelétrica para destruir com a vida do povo? A gente tem energia pra ligar a geladeira, mas não tem mais peixe pra guardar nela”. Foi sensibilizador o momento e as crianças presentes se perguntavam: “Como vai ser pra nós no futuro?”. Em Seguida fomos para rocheira, localizada em uma das partes altas da cidade e que nos possibilitou ter uma vista panorâmica do rio e do pôr do sol. Lá suplicamos ao Senhor que nos ajude, e nos dê forças para que nunca cansemos de lutar pela vida em todas as esferas e que nossa luta dê frutos de libertação.
Por fim, depois desses dias de movimento e animação popular para abraçarem uma luta, nos fica a certeza de que o rio apresenta sinais concretos de morte. o assoreamento, a diminuição de suas vazões, processos erosivos em suas margens, a devastação de suas matas ciliares, o declínio de seus rios afluentes, a superexploração dos aquíferos que garantem o seu escoamento de base nos períodos secos, a ausência de saneamento básico na quase totalidade das cidades ribeirinhas, além do recente rompimento da barragem de brumadinho, que matou o rio Paraopeba, um dos principais abastecedores do São Francisco. É preciso agir enquanto ainda temos tempo.

Frei Erick Ramon, OFM

Paz e Bem! Asè! Awerê!