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A MÍSTICA DA SUBIDA AO MONTE – ÚLTIMO ENCONTRO VOCACIONAL DOS GRUPOS DE RECIFE E PESQUEIRA

Em meados de um tempo cheio de surpresas desagradáveis e de busca por encontrar uma decisão na vida, um peculiar grupo resolveu subir ao monte para contemplar Deus e tentar entender qual a Sua vontade para eles. Mas a caminhada não foi exaustiva porque no caminho se dividiu os fardos e se viveu a comunhão. Chegando ao monte, logo se depararam com a imagem do Amor, e perceberam que  ele é a face mais fiel de Deus, porem, ela tinha várias expressões! Num primeiro momento foi difícil entender que o Deus que eles acreditavam se revela de diferentes formas na existência do homem. Era amargoso e ao mesmo tempo libertador perceber um amor tão grande e capaz de se misturar e de se comunicar de modos tão diversos. Mas o amargo, ao final da jornada, se não se converteu em doçura, tornou-se ao menos agridoce.

Foram treze jovens de diversas partes de Pernambuco que se dispuseram a subir ao monte. Quem os acompanhou foram dois frades que buscam animá-los na caminhada plana do cotidiano (um deles é o redator), e no meio do caminho encontramos com mulheres fortes, que tem muita sede de busca e que já descobriram num pobrezinho de Assis uma via de acesso a Deus. Quem nos conduziu à fonte foi o monge beneditino e biblista Marcelo Barros que, mais que com palavras, nos comunicou pela sua própria experiência de vida.

Partilhando que “a vocação é uma busca por Deus”, o irmão Marcelo os apresentou um Deus muito próximo a nós. Porém, mesmo sabendo onde encontrá-Lo, nos entretemos no caminho da busca. Depois ele nos apresentou que a Religião é uma resposta humana/cultural sincera ao Amor gratuito e livre de Deus, mas insistimos em nos fixar no desprezível quando, ao invés de amar, priorizamos a superficialidade dos enfeites e das particularidades que no caminho de dogmatizam e nos engessam.

Seria um fracasso termos que agradecer a Deus de um modo que nos é desconhecido, com uma língua que não falamos. Se Deus se comunica a nós e nos comunica seu amor de um modo que compreendemos, porque responder a ele de modo diferente? É certo que ele nos entenderia de qualquer forma, mas da nossa parte nos comunicaremos melhor se falamos a nossa língua, com a mesma carga de afeto, mística e crença que sentimos.

Foi a partir disso que compreendemos que as religiões, cada uma ao seu modo, tem formas diversas de gratificarem a Deus pelo amor que Ele lhes dá. Sendo assim, pudemos perceber que a distinção que fazemos das crenças entre “Certo” e “Errados”, “Verdadeiro” e “Falsos” revela no fundo a nossa falta de Amor, e se dizemos se esse Amor é Deus, então falta Deus em nós.

Os dias no monte foram um verdadeiro bálsamo: houve dança, conversa, partilha de vida e de pão. Descobrimos que a “verdade” em que cremos é pequena frente à “Verdade” que é maior e mais livre que a nossa singularidade. Para compreendermos um pouco mais dela nos é necessário segurança e disposição para amar e respeitar as formas diferentes dessa Verdade, que não é nem melhor, nem pior que a nossa. A Verdade é Deus, que se revela de modo diverso e que deseja que seu amor seja vivido de modo encarnado e atualizado em cada realidade onde há povo. Agir de modo impositivo é trair a oferta da liberdade dada por Deus. Marginalizar os outros é se desfazer da proposta de Vida em abundância para todos. Ser autossuficiente é negligenciar o serviço e a doação que são os caminhos do Senhor.

 

Frei Faustino dos Santos, OFM

 

LEGENDA:

O monte: O convento de Ipojuca

O fio condutor: Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso.

O assessor: Irmão Marcelo Barros

Os jovens:  Vocacionados franciscanos em nº de 13

Os frades: Frei Ronaldo César e Frei Faustino

As mulheres fortes: As jovens da Juventude Franciscana