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FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

Irmãos e irmãs paz e bem!

 

Hoje celebramos a Festa da exaltação da Santa Cruz. A liturgia nos apresenta para reflexão o Evangelho de João 3,13-17 e as leituras Nm  21,4b-9 e Fl 2,6-11. Todas elas buscam comtemplar que é mesmo diante da mesquinhez humana, desde o princípio, Deus quis e quer, salvar o homem e o seu morrer na cruz nos revela para toda humanidade o seu amor “absurdo” por nós.

A morte de Cristo na Cruz nos mostra também a força perseverante de um Deus encarnado que não desistiu, fazendo-se pobre e chegando a dar tudo de Si em favor de quem ama. Aqui deparamos o mistério livre e quênotico de um Deus que se fez pobre (esvaziamento) e que vem ao nosso encontro.  A cruz é a prova do amor de Deus que, em plena liberdade, entrega seu Filho Unigênito totalmente por toda a humanidade.

Na primeira leitura, encontramos o povo de Deus, murmurando no deserto, caminhando rumo a Terra Prometida. Eles queriam a liberdade sem dor, sem deserto, sem dificuldades, com isso no meio do deserto, começam a desacreditar na Onipotência Deus e na própria condução de Moises, chegando ao ponto de pensarem que a falsa liberdade vividas por eles no Egito era melhor. Meus irmãos e irmãs esta mesma situação acontece conosco, quando não queremos atravessar os desertos da nossa vida, quando queremos conquistar alguma coisa sem esforços, quando preferimos nos acomodar em nós mesmo e não partimos em busca do novo. O texto narrado nos mostra que muitos morreram vítimas da picada das cobras que podem ser simbolizada, em todo aquele(a) que perde a esperança de conquistar melhorias de vida e permeia o seu coração na indiferença. Só Deus pode transformar uma situação de morte em vida, foi assim que fez com a serpente que até então aterrorizava o povo, transformando-a ela em sinal de salvação, mais uma vez Deus perdoa seu povo e garanti para eles vida.

Já na segunda leitura deparamos o apóstolo Paulo convidando a comunidade de Filipenses a nortearem sua vida na vida de Cristo, buscando terem o mesmos sentimentos. Ele, nos mostrar que apesar de Cristo ter em si uma condição divina não se apegou a ela, se desfez dela humilhando-se tonando-se homem (pequeno) vivendo na nossa vida, sendo fiel até o fim, mesmo diante de uma morte infame numa cruz. A vida de Jesus é de fato um exemplo para cada um de nós que muitas vezes nós achamos no direito de humilhar os outros, nós achamos melhores do que os outros, e por tão pouco queremos sermos os senhores da verdade. Que possamos rever sempre nossas posturas diante dos outros e de nós mesmos e aprender de Jesus a sermos sinais de um amor sereno e perene neste mundo mergulhando a nossa vida na vida de Cristo e assumindo verdadeiramente sua missão sem esquecer de carregarmos constantemente a nossa cruz.

No Evangelho encontramos o diálogo de Jesus com Nicodemos que era um homem membro do Sinédrio e apegado à Lei. Jesus apresenta que para ser seu discípulo se deve nascer de novo e se desfazer de tudo aquilo que não gera vida. Na primeira leitura encontramos um Deus que livra o seu povo dos perigos do deserto dando segurança e proteção. Já aqui deparamos com um Deus Filho que rompe os limites humanos matando a morte e nos elevando ao Pai. Nos mostrado que todo nascer de novo nos leva a irmos também até as últimas consequências de amor/serviço que dar a vida em favor da construção do Reino.  É senso comum que o ser humano não suporta bem a ideia de morte. No entanto, em Jesus, que transforma o significado da morte em Sua Cruz redentora, as pessoas podem encontrar esperança, pois, embora uma morte por crucifixão possa representar horror para quem não acredita, para os que têm fé, a Cruz de Jesus revela o poder de Deus (1Cor 1,18). Que possamos vislumbrar a cruz de Cristo como sinal pleno de nossa redenção, dentro do mistério que é a nossa própria vida.

Frei Alleanderson Brito, OFM