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LITURGIA DOMINICAL – A IDOLATRIA DOS FARISEUS E ESCRIBAS

O Evangelho deste 22° domingo do Tempo Comum é como uma placa de advertência sinalizando perigo, usam-se dessas placas para indicarem radiação, veneno, etc. Neste caso específico, Jesus sinaliza o perigo do veneno dos doutores da lei.

Que veneno é esse? Na verdade, não se trata de um único elemento venenoso, mas de um coquetel, uma mistura de componentes que destroem a vida. O primeiro deles é a fofoca. Vejamos o texto: Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?” Estavam observando o tempo todo os discípulos e perceberam que eles não observavam alguns costumes tradicionalistas da época (lavar as mãos antes de comer). Então, correram para provocar o mestre para que ele caísse em contradição, com o tal costume, envenenando a opinião das pessoas contra o grupo que seguia o Jovem Galileu. Sentiam-se servos da justiça. Em seguida Jesus denuncia mais dois elementos, vejamos: “Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas. Como está escrito: este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. É vão o culto que me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos. Vós deixais de lado os mandamentos de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens” (Mc 7, 6 – 8). Fica evidente a hipocrisia e a vaidade deles. Hipócritas se apegam a práticas religiosas superficiais desprezando o que era essencial na lei, a saber: Sejam fiéis, de coração, à sua aliança; e deixem de ser obstinados. Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno. Ele defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa. Amem os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito (Dt 10, 16-19). Suas línguas faziam discursos bonitos, porém suas vidas concretas eram totalmente incoerentes com Deus. Vaidosos tentam parecer justos e santos enquanto que no coração carregam ódio e preconceito.

O derradeiro elemento aparece nesse trecho: “deixais de lado os mandamentos de Deus” (Mc 7,8). Deixar de lado os mandamentos de Deus é deixar de lado o próprio Deus, colocando em seu lugar a fofoca, o ódio, a vaidade, a arrogância, o amor ao poder, etc. Isto chama-se idolatria, e este é o último elemento do veneno dos fariseus e dos escribas. A idolatria é a sutil forma de ateísmo entre todos que confessam com os lábios uma fé, mas que as práticas anunciam: “imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez” (Mc 7, 21- 22).

Quanto a nós, tomemos cuidado com essa mistura mortal que é sutilmente inoculada em nosso coração. Para a qual existe cura, mas não existe imunidade.

 

Frei Jean Santos, OFM

Fraternidade Nossa Senhora das Dores/ Fortaleza – CE