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FESTA DE SANTA CLARA – GRATIDÃO PELO DOM DA VOCAÇÃO

Hoje, a Família Franciscana está em festa, pois estamos celebrando nossa Mãe Santa Clara, fiel seguidora de Jesus Cristo nos passos do dileto Pai São Francisco de Assis. Na Liturgia da Palavra, Jesus nos convida a fazer a mesma experiência de seguimento a Ele, que Clara de Assis fez na sociedade e na Igreja do século XIII. Elenco aqui três pontos que nos ajudaram a meditar a Sagrada Palavra tão amada por nossa Irmã Clara e suas Irmãs e aos que entraram nas fileiras da Família Franciscana.

O primeiro ponto a meditar está na profecia de Oséias que ouvimos; “Por isso a atrairei, a conduzirei ao deserto e lhe falarei ao coração” (Os 2, 14), diante dessa passagem somos remetidos à frase tão cara a nós franciscanos: “Não perca de vista seu ponto de partida” (2Ctln 11) falada por Clara a sua Irmã Inês de Praga.

Ao ler a vida desta Santa tão amada pela Igreja, que viveu recolhida na clausura do Mosteiro de São Damião, vemos uma pessoa atraída pelo Pai das Misericórdias. Afastada do mundo e suas ações de guerras, ambições e outros, porém nunca separada dele. Deus a escolheu para mostrar a este mesmo mundo em trevas uma luz que não passar. A luz da intimidade com o amado Jesus, tão esquecido em tempo. Deus em sua sabedoria chama Irmã Clara a viver a virtude da Altíssima Pobreza, uma vocação profética que a Igreja e a sociedade precisavam ouvir e ver. Enquanto os homens colocavam sua força racional, braçal e emotiva nas coisas que passam, Clara se encontra chamada a esvaziar-se e a buscar uma única pessoa que vai orientar sua vontade: Jesus Cristo e seu Evangelho. Como não pode viver de forma itinerante pelo mundo, como Francisco, ela vive seu chamado na Clausura, diferente dos outros mosteiros do tempo, em nome do Evangelho recusa as posses, quer viver do trabalho de suas mãos. Vendo como a única riqueza o seguimento a Jesus e viver o seu Santo Evangelho, com as Irmãs que Deus lhe entregou como dons na caminhada.

Podemos nos perguntar o que Santa Clara ensina ao mundo de hoje? Meus Irmãos e irmãs só uma alma mergulhada na vivência do Evangelho pode nos dizer “Não perca de vista seu ponto de partida”. O ponto de partida de Clara foi Jesus de Nazaré, e qual seria o nosso? De onde parte a nossa fé? Tem o mesmo Jesus de Clara, que a fez esvaziar-se de si, dos medos, do orgulho, da busca pelo poder? Da sede de se colocar como perfeitos e a apontar os pecados outros antes de ver nossos próprios pecados? É o que a vida de Clara de Assis nos convida a refletir para não perdemos e nos fazermos permanecer fiéis ao Evangelho, além que nos ensina a viver bem na comunidade, em vida de oração, a solidariedade, na busca pela justiça e amor a Igreja.

Nosso segundo ponto a aprofundarmos está na Carta de São Paulo aos Coríntios: “Um tal tesouro, nós o trazemos em vasos de barro, para que apareça claramente que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós” (II Cor, 7-8). Estamos no mês vocacional, onde todos somos convidados a refletir nossa vocação e rezar pela vocação do outro. A passagem citada nos leva a perceber que a vocação é um precioso tesouro, pois foi dado por Deus, o vaso somos nós marcados pelo pecado que nos torna frágeis, porém, nos ensina que não precisamos competir com ninguém. A única coisa a ser feita é o que Santa Clara nos ensina em seu Testamento: “Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia (II Cor 1,3) e pelos quais mais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida” (TestC 2-4). Dois Verbos não podem passar despercebidos para entender o que Clara quer dizer; Primeiro é “agradecer”. Sou grato a Deus por me escolher e ter me dado uma vocação especifica em seu reino? As atividades que esta vocação exige eu a desenvolvo com gratuidade e discrição? Dizem que a gratidão é a memória do coração, então não podemos esquecer disso, Deus nos chamou para sermos continuadores da obra de seu Filho Jesus, onde estivermos como frade sacerdote, ou frade leigo, pai e mãe de família, agente de pastoral, profissional etc. Para que realmente sejamos sal e luz no mundo, como pede o Ano do Laicato. O segundo corresponde ao verbo “dever”; nossa Irmã Santa Clara, diz que quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida, ou seja, como uma mulher totalmente impregnada do Evangelho, nos faz lembrar da passagem “a quem mais foi dado, muito será cobrado (Lc 12,39). Então não sejamos mesquinhos diante do dom da vocação, continuemos a nos colocar inteiramente ao serviço do reino e quando cairmos busquemos a misericórdia de Deus, para continuar a caminhada.

Enfim, no terceiro ponto o Evangelho de João nos propõe que “Quem permanecer em mim e eu nele, dará muito fruto: porque sem mim nada podeis fazer” (onde está essa citação). Os santos são presentes de Deus para o mundo. Mas qual o motivo de festejarmos os santos e em especial hoje nossa Irmã e Mãe Clara? O Evangelho nos responde, porque esta mulher, entre as mulheres de seu tempo, sentiu-se atraída por Deus, descobriu sua vocação e respondeu todos os dias e com gratidão e não foi mesquinha, se manteve unida a árvore da pessoa de Jesus, alimentada pela Seiva Evangélica. Ela deixou misturar sua vida a vida de Jesus pela oração assídua, o cuidado com as irmãs frágeis, a meditação das palavras de Cristo e com a consciência de que sem o amado Jesus nada podia fazer, por essa razão ainda bebemos da fonte que Cristo abriu na vida de Clara de Assis para o mundo.

Portanto meus irmãos e irmãs que o exemplo de Santa Clara nos ajude a ter Jesus como ponto de partida e a não o perder, a sermos gratos pela vocação que Deus nos deu, tendo a consciência que tudo isso só é possível levando uma vida intima com Cristo e vendo, como Clara de Assis, que sem Ele nada podemos fazer.

 

Paz e bem!

 

 

Frei Marcondes Uchoa da Silva, OFM

Fraternidade Santo Antonio – São Francisco do Conde/BA

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