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VOCAÇÃO, FRATERNIDADE E POBREZA NA VIDA DE SANTA CLARA DE ASSIS

Iniciemos pelo Chamado, pela Vocação, que para Clara é aquela eleição, algo sublime, Dom de Deus. Nesse mesmo norte percebemos em Francisco e em Clara pontos que se congruem. Pai Francisco vê-se pequeno e vê em Deus o Altíssimo, Mãe Clara vê na grandeza de Deus o quão grandioso é o seu chamado, isso nos mostra o ponto que une as duas filosofias do “vocare franciscanum”: a humildade do servo que ouve a voz de seu Senhor, onde Deus nos seduz e nós damos uma resposta apaixonada.

Para Clara há mais um ponto sobre vocação que é o “Viver em Fraternidade”, vendo nela que todo irmão é um dom e que devemos amá-lo segundo a Caridade de Cristo. Em vista disso não podemos nunca querer que a Fraternidade seja da nossa forma, e que não pode ser nunca uma utopia a Vida em Fraternidade, mas deverá ser algo construído com o alicerce da ciência que ela é um Dom de Deus e ao mesmo tempo com o amor segundo o coração de Jesus, ode reina a caridade. E o caminho de ser um irmão e irmã pobre está norteado por esses dois alicerces que nos mostram também que a riqueza está nesse caminho onde encontramos os irmãos e em Fraternidade procuramos crescer em graça e estatura diante do Senhor.

Em Francisco e Clara é difícil falar em pureza sem falar de Fraternidade, vendo na dimensão trinitária de Deus a Fraternidade vivida em pura e perfeita união, por isso que é um Dom a acolher entre os Francisclarianos a Vida em Fraternidade.

Último ponto é a Pobreza, que vem como consequência de uma visão espiritual do Chamado e munido do que é Fraternidade. Ponto esse que podemos renomeá-lo e chamar “despojamento”, algo imposto, mas vivido conforme as forças de cada irmão e irmã do Poverello de Assis. Na época de nossos seráficos pais era comum ver escancarado a desigualdade social, o desprezo ao outro. A figura que traduz muito esse momento são os leprosos, que foram motivo de conversão a Francisco e de apostolado de Clara. Apostolado esse que perdurou desde a sua entrada no Mosteiro de São Paulo das Abadessas, seu primeiro contato de vida religiosa monacal até o fim de seu trânsito. Neste Mosteiro as irmãs que entravam e que haviam dotes poderiam ter algumas regalias, já Clara entra como serva ou como uma “conversa”, como eram chamadas.

O desprezo ou despojamento de si, Clara não obrigava as irmãs e sim olhava se lhe era capaz, caso não, tomava um outro caminho com a irmã dispensando-a dos jejuns e outras coisas, isso é, senão, cuidado de uma mãe para suas filhas, zelo que era invejável, um zelo gratuito e singelo. A partir do momento que nós escolhemos viver o Ser Fraternidade tornar-se-á um gesto profético, onde mostramos ao mundo que ser Fraternidade não é uma Utopia, mas uma realidade, tornando-se ainda um mandamento de amor. Contudo, Clara nos alerta que não podemos viver a Fraternidade no euforismo de que é “tradição viver”, mas no concreto, como pede o Evangelho: viver com maturidade.

Contudo, para que saibamos viver assim, devemos tomar Jesus como o Espelho, assim como ela aconselhava a Inês pedindo-a que se espelhasse no Senhor para que o mundo viesse a ver em sua face a face de Jesus. Nossa Mãe Clara percebe que seguir a Cristo é despojar-se, e o ânimo para seguir na Pobreza era o seguimento de Jesus e amá-lo com todo o entusiasmo e nele espelharmos.

Pobreza no Espírito Franciscano é Liberdade. Após nos espelharmos em Cristo, que sejamos depois espelho para o mundo. É uma atitude de oração e adoração a Deus termos que nos espelhar todos os dias nele, para nele sempre nos enamorar, nos apaixonar por Ele, para que não nos apaixonemos pelo mundo, pelas suas coisas.

Portanto, procuremos nos espelhar em Cristo, vendo neste ato de Oração a grandeza do nosso Chamado, o Dom da Vida Fraterna e a Alegria do despojamento de si, vendo em Jesus o Amor e o Seguimento, e, ainda, o Caminho para o nosso autoconhecimento, pois quanto mais nos aproximamos de Jesus tanto mais nos conhecemos, ou nos reconhecemos: humildes, pobres, e irmãos peregrinos e forasteiros neste mundo.

 

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Frei Willames Batista do Nascimento, OFM

Licenciado em Filosofia pela Faculdade São Bento da Bahia

Administrador do Canal “A Arte de Ser Willames” no Youtube