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“EU SOU O PÃO DA VIDA”. ACOMPANHE A REFLEXÃO DO 18º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Neste Evangelho segundo São João vemos alguns ensinamentos muito importantes para nós cristãos, todavia não só para nós, mas para todas as pessoas que querem ver um mundo melhor. Uma multidão percebeu que Jesus não estava mais entre eles e foi procura-lo do outro lado do mar, na cidade de Cafarnaum. Começa então um dialogo muito interessante entre estas pessoas e Jesus. Eles perguntaram ao mestre: “Rabi, quando chegaste aqui?”. Jesus lhes responde: “Em verdade, em verdade lhes digo, estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos”. Uma resposta direta e de certa forma parece injusta. Mas por que parece injusta? Ora, o que se devia esperar de um povo que vivia sob a dura servidão romana e a opressão dos seus próprios líderes espirituais? Um povo que não tinha sequer o que comer é evidente que iriam atrás da pessoa que os alimentou sem cobrar nada por isso. Como foi dito, a resposta de Jesus apenas parece injusta, uma vez que não ignora a situação deste povo sofrido, do qual, ele mesmo, fazia parte, e, portanto, sentia na pele a dor daquelas ovelhas famintas. A questão que Jesus suscita é outra. O mestre de Nazaré fala de boas novas, sendo assim, esta geração não conhecia uma linguagem como aquela que Cristo usava. Uma linguagem que transcendia o sofrimento, a dor, a amargura e a solidão. Aquele povo explorado só conhecia a urgência de saciar sua fome para continuar sobrevivendo. Por isso, parece incompreensível para eles a proposta totalmente nova vinda daquele Galileu. Mais adiante eles preguntam sobre como fazer a obra de Deus, ao que Jesus responde: “a obra de Deus é acreditar que Ele me enviou”. A resposta deles foi uma outra pergunta: “que sinais realizas para que possamos ver e crer em ti?”. Eles queriam sinais porque queriam alimento, queriam saciar suas necessidades imediatas, enquanto que Jesus lhes aponta para uma forma de vida diferente, uma forma de vida que vê os sinais, não como uma oportunidade para se darem bem, mas como um farol  que orienta para o porto seguro que é seu Filho amado.

A lógica de Deus é outra, e muitas vezes nos contraria. É duro para quem está com fome ouvir que precisam lutar por um alimento que os leve para a vida eterna enquanto seus estômagos doem. Se examinarmos o texto evangélico ao pé da letra ficaremos escandalizados com a aparente insensibilidade de Jesus. Mas não é isto que o evangelista quer dizer. Se Jesus ignorasse a dor, não os teria alimentado nem os acolhido. O texto que dizer para nós que a vida de seguimento ao Cristo não espera por recompensas, não anseia por carreirismo ou ascensão social, não quer lucrar com sua crença em Deus. Jesus está nos dizendo que segui-lo exige um comprometimento tão sério que nem as nossas necessidades mais urgentes e legítimas podem ficar entre nós e seu reino. O reino de Deus não é, pois, comida nem bebida, mas é fazer a vontade do Pai. Fazer a vontade de Jesus é viver e amar como ele amou e viveu, e nós sabemos que ele não amou de palavras e nunca quis nenhuma vantagem ou conforto. Jesus nunca aceitou nada que o impedisse de realizar a obra do Pai. O verdadeiro seguimento não nega esta vida e sua necessidades, no entanto, mesmo em face das maiores dificuldades se alegra mais em fazer as obras que seu mestre realizou. Amar sem hipocrisia e viver uma vida realmente comprometida com a lógica da Boa Nova.

 

Frei Jean Santos da Silva