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SÃO BOAVENTURA, DOUTOR SERÁFICO

Uma reflexão sobre o homem que hoje recebe o título de Doutor Seráfico, não nos aparenta, à primeira vista, ser uma tarefa das menos dificultosas, entretanto, como podemos assegurar em tantas outras biografias de seguidores do santo poverello de Assis: os gestos falam muito mais do que o conteúdo que lhes provém do intelecto, porque, de tal forma se permitiram conduzir pelo Espírito Santo e que suas próprias ações não são propriamente humanas mas repletas da atmosfera Divina. Destarte não é de se admirar que as obras de homens como São Boaventura não são eivadas da poeira do mundo porque seu espírito não “rasteja como fazem as cobras, mas sobrevoa o mais alto dos ares como a mais frondosa e vigorosa águia.”

João Fidanza era um menino como qualquer outro nascido na idade média na Itália e ao ser cometido por uma forte doença, recebeu do recém canonizado Francisco a graça da cura. O alter Christus – título atribuído por Boaventura a Francisco – tem uma característica como o próprio Cristo tinha. Quando manifestava a graça física, suscitava uma imaterial ainda maior que gerava uma completa metanoia no agraciado e o fazia não mais buscar coisas imperecíveis. Da mesma maneira, quando a criança Boaventura foi curada da doença física, recebeu um bônus de São Francisco que viria em forma de herança mais tarde, e que tesouro seria!

Foleando as fontes franciscanas, livro em que se encontra grande parte do início da Ordem fundada por Francisco de Assis, é comum perceber a escrita de São Boaventura presente principalmente nas Legendas acerca de seu pai angélico. Mas grande contribuição para a Igreja como um todo foram seus tratados sobre a vida mística com cunho de direção espiritual, doutrina teológica e catequética ou puramente reflexões sobre a interação homem/Deus traduzidas em trechos completamente sine glossa – como Francisco gostava: “Confesso diante de Deus que a razão que me fez amar mais a vida do Beato Francisco é que ela se assemelha aos inícios e ao crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e em seguida enriqueceu-se de doutores muito ilustres e sábios”.

Boaventura hoje nos ajuda a perceber que Francisco não era somente um hippie amante da natureza, mas um outro Cristo que viria como espelho do que há de mais perfeito. Que a manifestação do amor de Francisco se assemelhava à transbordante graça que há em Maria Santíssima e que lhe era simplesmente impossível não amar. Como uma espécie de “doença” para o mundo, podemos perceber em São Boaventura que o maior feito de Francisco foi a criação de sua própria família como fruto de um amor supremo, a recriação da árvore da obediência e aparecimento do caminho mais eficaz para se trilhar a via crucis: a pobreza.

Agradeçamos, portanto, ao Doutor Seráfico por ser simples em nos dizer que todo homem é capaz de alcançar a graça divina subindo simbólicos degraus na fé e por nos ajudar a entender que homem nenhum é capaz de tal feito se não impulsionado pela própria graça de Deus. Mais ainda por nos ensinar que a vida não pode ser decidida por escolhas apenas temporais pois tudo é causa e efeito de um Bem maior e definitivo.

 

Paz e Bem!

Fraternalmente,

José Roberto Junior, eterno franciscano

 

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