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HOMILIA DO MINISTRO GERAL – FAZER MEMÓRIA, OS BONS FRUTOS E O APELO.

Nairobi 27 de junho de 2018

 

Frei Michael A. Perry, OFM

 

A riqueza da palavra que nos foi dada ilumina providencialmente o caminho final do nosso Conselho Plenário. Repito novamente o que disse há dois dias, a saber, que esta celebração eucarística, este momento sacramental, deve levar cada um de nós a contar tudo o que o Espírito do Senhor nos comunicou, a partir das experiências significativas de encontro e intercâmbio que temos vivido aqui.

Da Palavra que acabamos de escutar, gostaria de capturar duas expressões que considero essenciais: fazer memórias e bons frutos, para então apresentar um apelo.

Fazer memória

 A mensagem da primeira leitura nos coloca em um momento decisivo e significativo na história do povo de Israel. O rei Josias simboliza aquele que conseguiu alcançar o que tantos outros reis haviam negligenciado: nossos pais não ouviram as palavras deste livro, colocando em prática o que estava escrito para nós. A descoberta do “livro da Aliança” é um evento que, sem dúvida, marca um momento primordial de restauração não só no plano cultural, mas também na dimensão profunda da fé do povo. O templo, no qual toda a nação se reconhece como pertencente a um único Senhor, requer um trabalho urgente de restauração. Mas o que mais chama a atenção é a admiração que todo o povo experimenta quando eles percebem que o livro continha tudo o que deveria ter observado, mas, pelo contrário, eles negligenciaram a ponto de viver um relacionamento frio e distante com Deus, de alguma forma, motivado pelo comportamento dos predecessores do rei Josias.

O episódio de hoje conta um belo trabalho de restauração que vai além das paredes de um edifício sagrado, mas acima de tudo do templo do coração pelo qual uma adesão apaixonada é necessária à Palavra de Deus que vivifica e, que, deve ser acolhida com grande emoção e alegria. Este povo de cabeça dura (cf. Êx 32.9) precisa lembrar-se do momento em que o Senhor amorosamente tomou a iniciativa de levar Abraão àquela terra onde fluem leite e mel, onde Deus estabelece a primeira Aliança, e, então, reconfirmado de uma vez por todas através de Moisés no Sinai. O desencanto, o cansaço e o desinteresse facilmente levam a esquecer o momento fundamental em que Deus solenemente declarou: ” Você será o meu povo e eu serei o seu Deus ” ( Lv.26,12). Portanto, o Senhor eleva em Josias a capacidade de lembrar, e isso faz dele um guia autorizado para a vida de fé das pessoas.

Os bons frutos

A passagem do Evangelho segundo Mateus , curta mas incisiva, nos oferece uma chave útil para discernir: ” Uma boa árvore não pode produzir maus frutos, nem uma árvore má produzir bons frutos “.  Com este exemplo, Jesus quer avisar seus discípulos dos falsos profetas. O Sermão da Montanha, que está conosco há algumas semanas, está chegando ao fim, e Jesus oferece algumas advertências específicas para ajudar os discípulos a combater a hipocrisia e a falsidade, atitudes generalizadas não só fora, mas também dentro da comunidade de crentes.

A palavra fruto ligado diretamente ao conceito de verdade, representa os atos de bondade ou as obras que o discípulo realiza quando ouve a voz daquele que é a Verdade. Jesus adverte contra os falsos profetas porque eles não dizem a verdade e colocam em risco a integridade da comunidade. Então, ele encoraja a comunidade, baseada em critérios fundamentados na Palavra de Deus, a discernir o que é verdadeiro e o que não é.

Podemos nos perguntar: quais são os frutos pelos quais o discípulo de Jesus é reconhecido? Já temos a resposta em nossa bagagem: viver as bem-aventuranças, isto é, perdoar e amar a todos, inclusive os inimigos, dando sem exigir nada em troca, orando, não julgando. O verdadeiro discípulo de Jesus, que, vivendo as bem-aventuranças, se torna profeta da verdade, nunca cessará de produzir bons frutos, porque sempre falará e agirá como Jesus.

O apelo

Queridos confrades, o Conselho Plenário foi um espaço de graça em que o Espírito falou aos nossos corações. Como Josias e todo o povo de Israel, o Senhor agora também vêm até nós um apelo iminente, convidando-nos a procurar incansavelmente o “livro”, talvez perdido ou até mesmo esquecido em algum depósito empoeirado: nossa vida e Regra , isto é, o Evangelho de Jesus Cristo, a própria pessoa de Jesus Cristo, que inspirou Francisco e hoje continua a nos inspirar também.

Durante o CPO repetimos o verso do Apocalipse convidando-nos a retornar ao nosso primeiro amor  (Apocalipse 2: 4). Hoje o Senhor atualiza esta mensagem para nós. Depois de perceber a preciosidade do conteúdo do livro, Josias faz uma série de sinais penitenciais que demonstram como ele havia sido atingido por essa descoberta. Nós também podemos fazer o mesmo: depois de ouvir o que o Espírito do Senhor nos diz como Frades Menores no mundo de hoje, podemos adotar uma atitude penitencial para superar qualquer amnésia que, como uma Ordem de consagrados, pode nos fazer esquecer nosso primeiro amor. Como o texto do Livro dos Reis declara, vamos partir para seguir o Senhor e manter-se em seus ensinamentos, instruções e leis com todo seu coração e alma. Abramos nossos corações à voz do Espírito: só assim poderemos realmente produzir bons frutos, não por mérito, mas somente graças à bondade do Senhor.

Nestes dias tivemos a oportunidade de redescobrir a fecundidade de que o Senhor nos faz um presente: nossa identidade carismática franciscana, através da qual ele continua com a nossa colaboração para fazer maravilhas na Igreja e no mundo.

Queridos irmãos, agradeçamos ao Senhor que continuará presente em nós e no meio de nós, ajudando-nos a lembrar o que somos e a dar bons frutos. Embora a perplexidade ou o medo baterem na porta dos nossos corações, não tenham medo, irmãos: o Senhor nos levará de volta para o lugar onde tudo começou e nos dará a oportunidade de redescobrir a maravilha do primeiro amor e a graça das origens. Com esta certeza, desejo-lhes um bom retorno às suas fraternidades, com a firme convicção de que agora o Espírito de Deus falará através de você.

 

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Fonte: https://ofm.org/es/blog/los-reconocera-por-sus-frutos-homilia-del-ministro-general-para-la-clausura-del-cpo/

Tradução e transcriação: Frei Willames Batista, OFM