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ENTREVISTA COM FREI JEAN SOUSA SOBRE O CPO 2018

Desde o ultimo dia 12/06 44 frades conselheiros  estão reunidos na cidade de Nairóbi – Quênia no Conselho Plenário da Ordem (CPO). Do Brasil estão participando; Frei Wellington Jean Sousa, OFM, da Província Santo Antônio e Frei Alvaci Mendes, OFM, da Província da Imaculada Conceição representando a Conferência dos Frades Menores do Brasil (CFMB) e Frei Fabiano Satler, OFM da Província Santa Cruz, como convidado do Governo Geral.  O CPO segue até o próximo dia 28/06.

 

ofmsantoantonio: Como se apresenta a Ordem hoje: Esperanças e Desafios?

Frei Jean:  A nossa Ordem dos Irmãos Menores se faz presente nos cinco continentes, onde atualmente somos cerca de doze mil irmãos, compostos de irmãos presbíteros e irmão de vocação laical. Para nós Irmãos Menores, formamos uma única Fraternidade de Irmãos, sem distinção se padres ou irmãos leigos, que inspirados pelo exemplo de São Francisco seguimos a Jesus Cristo, pobre e crucificado como uma Fraternidade Contemplativa em Missão.

Por vocação somos uma Fraternidade Missionária e chamada a se fazer presente pelo nosso carisma nos lugares de desafios (social, cultural, religioso) e pobreza. Nesta busca sempre atual de responder aos desafios de viver o Evangelho no mundo de hoje, o nosso Capítulo Geral realizado em 2015 convidou todos os irmãos menores a “Saírem as Periferias com a Alegria do Evangelho”.

A Ordem inserida na realidade do mundo, carrega consigo as dimensões de ser uma Fraternidade multicultural, em presenças multirreligiosas, configurado-se como uma Fraternidade intercontinental, internacional, portanto universal.

Apesar da diminuição numérica das vocações para a nossa Ordem, as vidas dos irmãos menores crescem vocacionalmente em países da África, Ásia e Oceania. Há um decrescimento preocupante na Europa, e apesar de certa estabilidade na entrada de novos irmão a vida da Ordem nos países latino americanos, a questão vocacional se faz preocupante.

A Ordem hoje carrega o vigor de muitos jovens que são atuantes, assumindo a vida de irmãos menores em diversas frentes, mas carrega a graça e o dom, e ao mesmo tempo os desafios do envelhecimento dos irmãos na grande maioria das províncias.

Uma das nossas grandes riquezas como irmãos menores é nossa ousadia em se fazer presentes em áreas de conflitos e perseguição, onde o testemunho dos irmãos é sinal de nosso carisma, a exemplo de nossas presenças na China, na Índia, em Israel.

Outro grande sinal são as presenças dos irmãos morando em áreas de Missão da Ordem, como em Marrocos, e no contexto da Amazônia, bem como missionários em diversos países da África, e em frente missionárias novas como no país de Sudão, e nova fraternidade como em Cuba, onde está atualmente o nosso confrade Frei Zezinho.

Muitas de nossas províncias têm buscado o redimensionamento fraterno e missionários de nossas presenças. Há exemplos bonitos de entidades deixando as grandes estruturas de moradia e trabalho, por uma opção de moradia em bairros pobres e casa simples, tanto nos projetos de formação inicial, como permanentes. Há províncias se dedicando hoje ao desafio da acolhida e acompanhamento aos migrantes e com criatividade abrindo-se a novas perspectivas de presenças para além das paróquias. Na Coreia, por exemplo, somente temos três paróquias, é uma Província onde 50% são irmãos leigos e todo trabalho está focado na linha da Justiça e Paz, próprios da identidade de nosso carisma. Algumas províncias fazendo a experiências de fraternidades itinerantes, fraternidades missionárias, onde os irmãos fazem opção por uma vida sem apego as estruturas, sem apego ao dinheiro, a serviço dos pobres e sendo presença entre eles.

Nas províncias de Centro América e Cono Sur, tem surgido a experiências das chamadas “Paróquias Verdes”, voltadas para uma missão com inspiração na Encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco e como busca de viver a dimensão sócio -ecológica do nosso carisma.

Por fim, muitos são os sinais de sombras, mas também de luzes pela qual a Ordem passa nos dias atuais, cabendo a nós como irmãos menores dá uma resposta aos sinais dos tempos, e como disse nosso Ministro Geral na abertura do nosso CPO, numa atitude de abraçar o Mistério de Deus que nos abraça.

ofmsantoantonio:    Principais encaminhamentos do CPO?

Frei Jean: A tarefa que coube a nós os 44 irmãos conselheiros neste CPO foi a de pôr-se a escuta das diversas realidades onde a Ordem está presente, observando as realidades do Mundo, da Igreja e da Ordem, para através do diálogo e discernimento oferecer ao Ministro Geral e seu Definitório uma reflexão sobre a Vida e a Missão da nossa Ordem, bem como sugestões para o caminho da Ordem e propostas para o próximo Capítulo Geral.

Foram dias de escuta das realidades sócio- econômico- culturais e religiosas de todas as Conferências. Neste sentido, a realidade política, econômica e social do nosso país também foi apresentada. Escuta dos desafios e esperanças, das nossas sombras e das nossas luzes em busca de escutar o que o Espírito diz a nós irmãos menores hoje.

Os grandes temas abordados pelos conselheiros e que se faz apelo para a nossa missão como irmãos menores no mundo de hoje foram:  Migração, Juventude, Missão em Fraternidade, Mudanças no Mundo Atual, Dimensão sócio- ecológica do nosso Carisma, Instrumento de Paz em meio as Violências e Vida Consagrada Franciscana à luz da eclesiologia assinalada pelo Papa Francisco.

Estes temas foram trabalhados e encaminhados ao Ministro Geral, que irá se encarregar de enviar o documento final do CPO a toda Ordem.

ofmsantoantonio: Perspectivas para as Conferências da América Latina?

Frei Jean: Os temas trabalhados se fazem desafios para toda a Ordem. Para nós da América Latina, ficou claro que devemos sempre mais buscar sair do nosso provincialismo e abrir-se a missão da Fraternidade Universal. Também ficou o apelo de trabalhar em nossas entidades um maior compromisso para com os migrantes, uma maior abertura para escutar as juventudes, a consciência de que é preciso superar o clericalismo em nossas fraternidades e decidirmos por presença mais significativas entre os pobres. Para nós latino americanos nos faz sentir bem saber que o modo de pensar e sentir o Mundo, a Igreja e a Ordem são muito convergentes e que podemos fazer uma caminhada de testemunho e esperança buscando sempre mais a internacionalidade de nossas ações e de nosso diálogo.

ofmsantoantonio:  Contato com a Mãe África?

Frei Jean:  A África sem dúvidas é um continente carregado de uma força espiritual e humana indecifrável. Apesar de suas contradições sociais e políticas, se vê um povo forte e de sorriso largo. O nosso CPO foi num pequeno pedacinho da África, no país do Quênia. Sentir as pessoas deste país, vê a manifestação cultural e de fé marcados por uma alegria e um gingado muito próprios foi uma oportunidade única, foi uma graça. Meu sentimento é de que há uma grande África que habita em minha alma. Levo deste país um sentimento de Gratidão por tudo o que humanamente e espiritualmente eles representam para nós. Foi de uma troca de amor sem medidas estes dias do CPO.

 

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