“Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem”

LITURGIA DOMINICAL

 Na liturgia deste domingo, continuamos a mesma temática do domingo passado: a relação do ser humano com as riquezas, à luz do ensinamento de Jesus visando a salvação. Convida-nos a  ver os bens materiais, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

O Evangelho apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens… Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens… Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado.

A Boa-Nova, de Cristo, para o nosso mundo é superar o abismo entre ricos e pobres. Este abismo não está alicerçado apenas sobre um problema econômico, mais sobre o individualismo e o egoísmo. Esses são abismos a que devem, urgentemente, serem superados. Neles ganha forma o abismo econômico. Este Evangelho faz uma severa admoestação a quantos buscam a felicidade nas riquezas e creem que estas podem salvar. A eternidade é um dom. A partir do projeto libertador de Cristo, somos convidados a fazer a experiência deste dom, em duplo sentido: saber ver os bens como procedentes de Deus e saber partilhar com os mais necessitados os bens que recebemos.

A conclusão do Evangelho é para nos acordar: não basta conhecer Moisés e os Profetas (a Bíblia). É preciso viver o que Deus nela nos ensina. Portanto, a fé não provém da contemplação de nenhum prodígio sobrenatural, mas da aceitação humilde da revelação de Deus.

Fr. Rogério Lopes, OFM