Amar provoca mudanças

LITURGIA DOMINICAL

A pergunta que podemos fazer nesse 24º Domingo do Tempo Comum é: Até quanto podemos amar? Certa vez Pedro Pergunta a Jesus quantas vezes devemos perdoar o irmão e Jesus responde que não só sete, mas, setenta vezes sete, ou seja, sempre, infinitamente. Nesse mesmo intuito responderia a pergunta inicial, devemos amar sempre.

Na primeira leitura do Êxodo Moisés se encontra na montanha, lugar do encontro com Deus, com o próximo e consigo mesmo. No encontro com Deus Moisés recebe os mandamentos e, ainda a ira pelo “teu povo” (Ex 3, 7) fazer uma imagem Dele e adorá-lo. No encontro com o próximo, Moisés, assim como foi Abrão, se configura como mediador que recorda a Deus não os pecados do seu povo, mas a justiça e a misericórdia que é a verdadeira imagem de Deus. No encontro consigo mesmo descobre que Deus fará dele “uma grande nação”. A descendência de Moisés não pode se valer do pecado como base de um relacionamento. A capacidade de amar, até mesmo os limites do outro é o legado que Deus e a descendência de Moisés deixa a nós hoje.

O apóstolo Paulo como vemos na segunda leitura, é um exemplo desse legado que vê o homem a partir de suas possibilidades, sobretudo, de amar. Teria Deus todos os motivos para julgar Paulo de seus crimes, principalmente aqueles cometidos contra os primeiros cristãos. Porém, quis Deus continuar amando e, talvez, tenha sido a razão da conversão de Paulo. Ao contrário de nós humanos, que mudamos a partir do erro do outro, esperando uma melhora, Deus continua amando mesmo que a resposta seja o contrário. A insistência de amar é o que provoca a mudança.

O Evangelho de Lucas 15 vai na mesma lógica das leituras anteriores, o que vale é o amor e não o pecado. Todo esse capitulo é preenchido com as chamadas “parábolas da misericórdia”. Das três narradas hoje, a primeira (ovelha perdida) encontra-se em Mateus e Lucas, as outras duas (moeda perdida e o filho pródigo) exclusivas de Lucas. Jesus conta essas parábolas em meio aos reconhecidos como indignos (cobradores de impostos e pecadores) e, por isso, questionado por fariseus e publicanos reconhecidos como dignos. Na lógica do amor não existe o indigno e o digno, existe o homem e a mulher que ao se encontrarem perdidos, são procurados, valorizados e, consequentemente, feito a festa.

Portanto, não sei qual a imagem que fazemos de Deus? Se esta imagem é de um Deus que visa o pecado e que se preocupa apenas com os bons ou aqueles que rendem, esse não é Deus se levarmos em conta o legado dos nossos patriarcas (Abraão, Isac, Jacó, Moisés). Contudo, se a imagem que temos de Deus é de um Deus que não sabe rejeitar um homem sequer, pois rejeitar um é rejeitar todos, na lógica do amor, então estamos dando continuidade a um legado que tem sua base no amor. Se quisermos uma prova que estamos ou não no caminho certo, basta se perguntar se nossa preferência é ou não os mais necessitados.

Frei Pedro Júnior, OFM