Em Maria se realiza o que acontecerá em todos nós

LITURGIA DOMINICAL

É propícia a imagem de Maria no momento em que se celebra a vocação religiosa consagrada. Na liturgia desse Domingo, Maria é apresentada pelos autores sagrados de diversos modos e cada um nos fala muito particularmente.

Na primeira leitura retirada do Apocalipse de São João (Ap 11,19a;12,1-6a.10ab) Maria representa a Igreja. Na segunda leitura (1 Cor 15,20-27) Maria pode representar a Nova Eva, em relação a Cristo, Novo Adão.

O Evangelho escrito por Lucas (Lc 1,39-56), que é aquele que mais fala de Mãe de Jesus, relata a fé autêntica de Maria que a leva a exercer o verdadeiro discipulado quando se põe a caminho para servir, ir ao encontro daquela que outrora vivera na desesperança. Dessa passagem pode-se retirar muitos elementos importantes: o serviço, a confiança em Deus, o reconhecimento da ação de Deus na vida de Maria e tantos outros.

Nesse encontro de Maria com Izabel, o Evangelista já relata o primeiro encontro de Jesus com João Batista, que preparou os caminhos para a vinda do Senhor. Esse encontro com Jesus, ainda no ventre de Maria, faz Izabel e seu filho exultar de alegria e admiração. Esse trecho nos ensina que o encontro verdadeiro com o Senhor cumula a quem o realiza do regozijo do Espírito. Ainda, pela boca de Maria sai a gratidão a Deus porque sua misericórdia e promessa se realizaram nela, humilde e serva.

Sobre o dogma da Assunção de Maria, este só tem sentido se for visto à luz da ressurreição do seu Filho e da promessa de ressurreição a todos aqueles que nessa vida seguem os passos e fazem a vontade de Jesus. Maria é sinal de benção, sinal da realização das promessas de Deus para a nova humanidade, nela acontece o que será com todos um dia.

Pela opção de vida de Maria, Deus transforma sua história. Maria é sinal de Deus para a comunidade que caminha na história. Os consagrados devem, por sua consagração, tomar o exemplo de Maria, receber a vocação que Deus os oferece como um dom transformador da sua vida e história a fim de que, com muita humildade, sejam eles, sinais da ressurreição de Jesus Cristo e da graça de Deus aos homens que se renova a todo instante.

Frei Faustino dos Santos, OFM