Lançar fogo à terra

LITURGIA DOMINICAL

Estamos no mês dedicado as vocações e a liturgia deste 20º Domingo do Tempo Comum evidencia que nem sempre é fácil assumir o chamado que Deus nos faz. É preciso ser fiel à sua Palavra mesmo que em determinado momento a incompreensão seja o que realmente se ganha.

Na primeira leitura o profeta Jeremias, chamado desde o ventre materno, é responsável para dar uma notícia que iria mexer com o povo de Jerusalém: anunciar o fim do reino de Judá. Tal anuncio possibilitou o ódio principalmente das grandes autoridades, mas como sempre aconteceu em suas profecias, ele preferia arriscar a vida do que silenciar diante da voz de Deus. No final, cumpre-se a promessa de Deus, expressa no relato da vocação de Jeremias: “não tenha medo, Eu estarei contigo para te libertar” (Jr 1, 8). O mundo de hoje, bem como o de sempre, continua a não saber lidar com a profecia.

A incompreensão frente a Palavra de Deus e a seus anunciadores também se revelou em Jesus. Neste Evangelho (Lc 12, 49-53), mesmo que seja um texto difícil de interpretar, Lucas apresenta esse episódio no contexto do caminho para Jerusalém. Jesus tem a missão de “lançar fogo à terra” a fim de que desapareça os sinais de morte e vivifique a vida. Não pertence a personalidade de Jesus conservar intacto o que já existia, compactuando com uma paz enganadora que não questiona a injustiça. O objetivo de Jesus passa por “incendiar o mundo”, pondo em questão tudo o que interfere para que a vida aconteça.

Dessa forma, “rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas…” como nos fala a segunda leitura, por exemplo, Jeremias, Jesus, os santos e santas, corramos ao encontro da vida, como os atletas que para conseguir seus objetivos não medem esforços, doa a quem doer, e, assim, cumprir a missão que Deus nos confiou.

Neste dia que celebramos o dia dos pais pedimos a Deus que eles sejam homens como Jeremias, que sejam homens compreensíveis, presentes e que escutem a voz de Deus. Se Deus é representado em muitos momentos como Pai, denota a responsabilidade dos pais serem como Ele: justo, misericordioso e lento para a ira.

 

Frei Pedro Júnior, OFM.