Basta uma Palavra

LITURGIA DOMINICAL

Depois de celebrarmos grandes solenidades como Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade e Corpus Christi chegamos ao 9º Domingo do Tempo Comum com a sensação de não ser um dia festivo. Engano nosso! Todo Domingo é Páscoa e, portanto solenidade. Na festa deste domingo as leituras nos ajudam a esclarecer a universalidade de Cristo que se estende não só ao seu povo Israel, mas a todos, indistintamente.

A oração de Salomão (1ª leitura) se dá por ter-se realizado uma promessa feita ao seu pai Davi, isto é, a construção de uma “casa” para a residência eterna de Deus. A Arca da Aliança, que acompanhou o povo desde a saída do Egito, tem agora uma morada fixa. Nessa casa todos terão lugar, até mesmo os estrangeiros. Apesar das leis que centralizavam o culto e da exclusividade da eleição do povo de Israel, Deus sempre se mostrou aberto a unir toda a família humana, já que todos somos filhos e filhas de Deus.

Diante disso, enviou o seu Filho Jesus Cristo como sinal da inclusão de toda a família humana. Jesus é esse templo construído não pelas mãos humanas, mas que tem por objetivo reunir todos os povos Nele. O Evangelho da liturgia deste domingo, protagonizado pelo diálogo entre Jesus e o centurião, tem por finalidade ensinar aos discípulos a jamais fazerem distinção de pessoas e abrirem-se aos outros com tudo o que ele traz consigo. Mesmo que a figura do centurião representasse a opressão do poder romano, este em particular demonstrava aceitação ao que se dizia de Jesus.

Se no Evangelho de Marcos (8, 5-13) é o próprio centurião que se dirige a Jesus, no Evangelho de Lucas, o centurião envia anciãos judeus, demonstrando assim a boa relação com a religião judaica e, sobretudo, com a palavra de Jesus, pois para o centurião bastava uma palavra e era o suficiente sem precisar que Jesus fosse até a sua casa. Ora, muitas foram as vezes em que Jesus foi a casa, neste caso, Jesus é a casa e por ser Ele mesmo, era o suficiente para todos que acreditassem em suas palavras fossem salvos.

Portanto, não precisamos de outra palavra senão a de Jesus. Exortando a comunidade (2ª leitura) Paulo enfatiza a continuidade do Cristo por ele anunciado e reforça para não se deixar guiar por leis humanas. O Cristo anunciado é o da liberdade que não impõe outras condições ao seguimento senão o amor multo e indistinto entre os filhos e filhas de Deus.

 Frei Pedro Júnior, OFM