Alegrai-vos!

LITURGIA DOMINICAL

Com a proximidade da festa das festas (Natal), como dizia São Francisco, nosso sentimento não poderia ser outro senão alegria. Hoje celebramos o “Domingo da Alegria” muda-se a cor própria do advento, de roxo para o rosa, mostrando como deve estar nosso interior. Alegria parece ser o tema escolhido pelo Papa Francisco no início de seu pontificado quando escreveu, em 2013, sua primeira Exortação Apostólica: Evangelii Gaudium e em 2014, quando fez uma carta denominada, Alegrai-vos, para os religiosos e religiosas dedicando o ano de 2015 à Vida Religiosa Consagrada.

Já que celebramos o Domingo da Alegria, as leituras da liturgia têm como ponto central, a alegria. A segunda leitura é tirada do livro de Tessalonicenses. Vale lembrar que este livro é o primeiro escrito do Novo Testamento. Esta era uma comunidade muito preocupada com a vinda de Cristo, não aquela que celebramos o nascimento, mas a segunda vinda, isto é, a gloriosa.

No Advento revive-se o nascimento e celebra-se a segunda vinda de Cristo. Paulo chama essa expectativa de “Parúsia”, ou seja, “vinda”, que na cultura greco-romana, designa a chegada solene de uma pessoa ilustre. Nesse caso, refere-se a volta triunfal de Jesus. Por isso mesmo, a comunidade deve alegrar-se sempre, em todas as circunstancias, porque esta é a vontade de Deus. Tal alegria não pode depender das situações externas, ela deve ser permanente, mesmo diante de nossas fragilidades.

Quando se fala em alegria sempre devemos confiar que Deus quer o melhor pra nós. Se formos perceber a primeira leitura, tirada do livro de Isaias, ela é dividida em três. Este que lemos hoje é do terceiro Isaias (55-66), escrito que emergiu do período pós-exílio. O povo era dominado pelos Babilônios e expulsos de suas terras; depois os Persas derrubaram os babilônios e trouxeram novamente o povo para suas terras, mas chegando lá outros já a ocupavam, sem contar os altos impostos cobrados. Era uma situação conturbada e como se alegrar com tudo isso?

Vale lembrar que Deus nunca abandonou o seu povo e contou com o grupo profético que toma a posição a favor dos pobres. Os profetas eram movidos por um ideal de uma sociedade justa e fraterna e Jesus utiliza esta mesma passagem em Lucas 4 para sintetizar sua ação missionária: “dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma e redenção para os cativos.” A leitura termina num hino de louvor e alegria pela certeza da presença de Deus junto ao seu povo.