Novo tempo de esperança

LITURGIA DOMINICAL

Nesse novo Ano Litúrgico as leituras dominicais nos farão entender a experiência da comunidade de Lucas vivida a partir do “rosto misericordioso de Jesus Cristo”. Inicia-se hoje a liturgia do Advento que traça um caminho espiritual de preparação para o Natal do Senhor. Converter-se e acolher Jesus é seguir uma estrada cujo fim realiza o mais profundo desejo do coração humano: amar a Deus, que nos amou primeiro.

Nesse tempo do Advento celebramos as três vindas de Jesus Cristo, aquele que virá, que veio e que vem. Esses tempos se justapõem e se entrelaçam, pois tratam de um único mistério da salvação que começou com sua primeira vinda. O Advento da vinda definitiva vai do primeiro domingo do Advento ao dia 16 de dezembro. Nessa primeira parte comemoramos antecipadamente a reconciliação da criação e da natureza humana.

Com os profetas se reconhece as promessas de uma vida melhor. Hoje, Jeremias (1ª leitura) promete a vinda de um homem que fará valer a lei e a justiça: “Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra” (Jr 33, 15). Um novo tempo surge, sem dominações estrangeiras, destruição e, assim, o povo reconhecerá que Deus está com o seu povo e cumpre suas promessas. O rei suscitado por Deus que restabelece a justiça, é Jesus.

A partir de uma linguagem apocalíptica, o Evangelho de Lucas nos remete à esperança, isto é, à vinda de Jesus (Parusia). O mesmo que se ofereceu como sacrifício voltará cheio de glória. Não se trata de destruição, choro e fim, mas de construção, alegria e início de uma nova vida. Na teologia temos um estudo especifico que se chama escatologia, uma palavra grega que significa doutrina sobre as últimas coisas. O conteúdo básico de toda a escatologia é a esperança, pois trata-se da “libertação que está próxima”.

Os sinais cósmicos nos apontam a proximidade, mas não o fim, pois este ocorrerá num “dia”, não determinado com base no calendário. “Se Jesus tivesse revelado o tempo de sua vinda, esta deixaria de ter interesse e não seria mais desejada pelos povos da época em que se manifestará. Ele disse que viria, mais não declarou o momento e por isso as gerações e todos os séculos o esperaram ardentemente (Do comentário sobre o Diatéssaron, de Santo Efrém, diácono) ”.

Nesta firme expectativa, cabe a nós cumprir o que Paulo nos orienta na carta aos Tessalonicenses (2ª leitura), “que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais …” (Ts 3, 12). Em tempos de espera o melhor a fazer é amar a vida aproveitando cada instante, pois o fim último é viver em Deus.

Frei Pedro Júnior, OFM