O profeta e o anúncio da Boa Notícia

LITURGIA DOMINICAL

As leituras dominicais continuam a nos proporcionar valores que orientam nossa vida ao longo de mais um mês temático em que a Igreja propõe a dimensão missionária cristã. Solidariedade, fidelidade (1ª leitura), alegria (Salmo), estar a favor dos homens (2ª leitura) e escutar o clamor dos marginalizados (Evangelho) são alguns destes valores que precisamos constantemente alimentar nossa vida e missão.

Não raro nos deparamos com situações desesperadoras, não tendo forças para continuar à missão e a pergunta parece inevitável: onde está Deus que não me ouve? Essa era a realidade que o profeta Jeremias enfrentou. Diante de um presente escuro, de um povo exilado, sem suas terras, casas, templo e país, Jeremias anuncia um futuro de paz, de liberdade e de alegria na terra de Israel.

O profeta é o homem da boa notícia, não desanima e confia na fidelidade de Deus que estabeleceu uma aliança com seu povo. Não há situação histórica em que Ele não esteja próximo e ouve as súplicas, solidarizando-se com os mais pobres e indicando um caminho novo. “Eles chegaram entre lágrimas e eu os recebereis entre preces” (Jr 31, 9a), Deus é o Pai próximo e que nunca abandona.

Diante disso, não temos outra forma senão exultar de alegria como canta o salmista. A proximidade de Deus, sua paternidade e presença na caminhada “encheu de sorriso nossa boca e nossos lábios de canções” (Sl 125). Não é Deus que se ausenta, somos nós que criamos um abismo; não temos tempo, não somos fiéis, nem solidários.

Daí outro clamor se faz ressoar: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim! ” (Mc 10 47). Este clamor está expresso nos evangelistas Marcos, Mateus e Lucas, embora cada um traga de forma diferenciada. Por exemplo, Mateus relata a cura de dois cegos em Jericó, enquanto Marcos e Lucas fala de um, nessa mesma cidade; o cego em Lucas não tem nome, mas em Marcos ele é Bartimeu, filho de Timeu. Como nesse domingo meditamos o Evangelho de Marcos nos fixemos em suas particularidades.

A primeira relevância que podemos constatar é que o Evangelho de Marcos é o escrito mais antigo, o único a utilizar o termo Evangelho que significa boa notícia. Por sete vezes encontramos essa expressão nos seus 16 capítulos e já que o número sete significa a perfeição, o completo, Marcos quer que a boa notícia seja proclamada a todo momento. Dessa vez, a boa notícia é revelado ao cego Bartimeu que poderia ser qualquer um de nós que nos colocamos alheios ao sofrimento do próximo e, portanto, cego, longe da luz que é Cristo. Se já não havia luz para Bartimeu queriam lhe tirar a voz, porém sua insistência fez com que Jesus o escutasse. Jesus lhe devolve o direito de ver, falar, escutar, tocar e sentir a graça de ser respeitado, mesmo nos seus limites.

Jesus é, como nos lembra o livro de Hebreus, o eterno sacerdote que compreende a fraqueza dos homens e, por isso, está ao seu lado. Como sacerdote Ele é o mediador junto a Deus, oferecendo-se de uma vez por todas para que todos nós tivéssemos vida e vida em abundância.

No dia que celebramos o primeiro santo brasileiro e franciscano santo Antônio de Sant’Anna Galvão que se deixou modelar por esses valores missionários, peçamos a Deus que a exemplo dele consigamos nos livrar de nossas cegueiras e sermos homens e mulheres da boa notícia.

Frei Pedro Júnior, OFM